O dia 20 de agosto de 2015 é uma data que nunca será esquecida pelo frentista José Ribamar Soares da Silva, 34 anos. Ele escapou da morte quando um tiro disparado de uma arma de fogo atingiu um celular que estava no bolso do lado esquerdo de sua camisa. O sentimento é o mesmo de ter nascido de novo: aquela tarde de trabalho, no posto localizado na avenida Pedro Miranda com a travessa Lomas Valentinas, na Pedreira, poderia ter tido um trágico desfecho. Mas, para José, foi um verdadeiro milagre - que ele só percebeu quando viu o projétil no chão e o furo no bolso de seu uniforme.
“Não foi só o celular. Foi a mão de Deus que estava sobre mim”, garante o frentista, que é evangélico e pretende testemunhar sobre a experiência vivida.Ao receber a notícia de que o marido havia sido baleado, a esposa, com quem José tem uma filha de quatro anos, se desesperou por imaginar que o pior poderia ter acontecido. Apesar do trauma, ele diz que só resta agradecer a Deus pelo livramento e valorizar ainda mais a sua família, que segundo ele demonstrou preocupação e o apoiou.
RISCOS DIÁRIOS
A reação de fé do frentista José Ribamar expõe uma realidade dura do mercado de trabalho em Belém: situações como essa, de risco frente à violência, já são consideradas corriqueiras por quem exerce a atividade em postos espalhados pela capital paraense. É o que garante o frentista João Célio Júnior, 24, que há quatro anos trabalha em um posto na avenida Pedro Álvares Cabral, no bairro da Marambaia. Segundo ele, o estabelecimento já registrou uma média de 50 assaltos somente este ano. Para João, além da localização, a falta de policiamento contribui muito para este expressivo número de roubos.
O último assalto ao local ocorreu há três semanas. Dois homens em uma motocicleta levaram R$ 1.000 que estavam com dois frentistas. Eles roubaram ainda os pertences dos clientes.Há quatro meses, outro frentista foi levado dali em uma motocicleta por dois bandidos. Eles o deixaram próximo à ponte do Galo, no Barreiro.
O episódio ocorreu na manhã do dia 11 de abril. Naquela ocasião, a vítima, Bruno Monteiro, 27, desconfiou que se tratava de um assalto ao perceber a movimentação. Depois de anunciar o assalto, a dupla de bandidos mandou o jovem subir na moto. Durante o trajeto, Bruno foi agredido com socos, mas em um certo momento pediu que o deixassem ir. “Eu disse que era evangélico. Eles pararam de me bater e pediram desculpas. Não fiz boletim de ocorrência. A gente tem medo porque aqui é uma área muito isolada”, justifica.
PRIMEIRO DIADE TRABALHO
Mas não são só frentistas os trabalhadores na linha do medo do trabalho em Belém. No início da madrugada do último domingo, em meio a momentos de pânico de clientes e funcionários, durante um assalto em um restaurante na avenida João Paulo II com a Mariz e Barros, no Marco (ver texto completo no caderno Polícia de hoje), mais um trabalhador de Belém acabou morto durante o serviço. O garçom Erick Souza Pereira, 24 anos, reagiu a uma tentativa de assalto ao estabelecimento e morreu com um tiro no peito. Aquele era o seu primeiro dia no novo trabalho.
O medo é passageiro constante nas corridas de táxis.
(Pryscila Soares)
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