Belchior Queiroz, nascido em Tocantinópolis, interior do Tocantins, se considera um baixinho de 1,69m ‘cabra da peste’. Ele conversou com o DIÁRIO sobre a repercussão de sua carne de sol entre os moradores de Belém, nas redes sociais.
P: Como você ficou sabendo que a sua foto estava na internet?
R: Eu não uso redes sociais. Minha filha ficou sabendo através dos colegas e ficou indignada com os comentários que leu.
P: A repercussão te assustou?
R: Sim, claro. Nunca pensei que pessoas, que teoricamente são estudadas, formadoras de opinião, fossem perder tempo olhando para minha carne que estava na sacada e nunca incomodou nem os meus vizinhos e muito menos feriu as normas do meu condomínio.
P: Em relação aos comentários, o quê você achou?
R: Os que eu vi foram ridículos e de uma falta de respeito com as pessoas e a sua cultura. Disseram que eu teria saído do mato e o mato não saiu de mim. Falaram que é nojento e até zombaram da minha cultura, da tradição da minha família, e isso não é correto. Nós fazemos de nossas casas o que bem queremos, principalmente quando estamos com as nossas contas pagas.
P: Por que se mudou para Belém?
R: Estou na cidade há quase 3 anos e meio. Vim a convite de trabalho, para fazer consultorias e intermediar o diálogo entre sindicatos e o governo. Nunca quis fazer restaurante e muito menos me promover por algum motivo. Não preciso disso. Não sou político, como as pessoas estavam falando.
P: Você é chef de fim de semana?
R: Moro com três netos, três filhos e minha esposa. Gosto da casa cheia e sempre faço comida e chamo os amigos. Na minha casa, gostamos de comer e, quanto mais gente, melhor na mesa. Gosto de fazer vários pratos com a minha carne de sol. A saia velha, por exemplo, e a Maria Isabel (arroz com carne seca).
P: Por que você coloca sua carne na sacada da frente, tendo uma varanda gourmet?
R: Na varanda fica minha churrasqueira, deixo a carne durante a noite. Mas eu gosto dela pegando sol, e na varanda da frente o sol pega bem nela.
P:Você se considera um homem do mato ou do igarapé?
R: Eu nasci na fazenda e saí para cidade grande quando estava com 15, 16 anos. Mas não nego minha cultura, e para qualquer lugar que eu for eu faço as coisas que sou acostumado a comer e gosto. As pessoas que falaram isso devem apenas respeitar a cultura das outras. E não é porque eu moro em um bairro nobre, em um prédio de luxo, que eu não posso ser simples e fazer o que as pessoas do campo fazem.
P: Você gosta de Belém?
R: Sim, gosto muito. Apesar do trânsito e de ter uma única entrada e saída, eu adoro as pessoas. Gosto muito também da comida, da cultura.
P: Por fim, o que ficou para você desse episódio?
R: Os meus amigos e vizinhos passaram a me ligar e pedir mais. Tenho que dobrar a quantidade, pois todos querem um pedaço. Um amigo me sugeriu que eu fizesse um restaurante ‘A varanda do Bel’.Apesar de ter sido um nome bem legal, não tenho a intenção. Quanto às redes sociais, hoje elas estão ajudando muitas pessoas para passar informações, mas devem ser usadas para coisas boas e denúncias do que importa, e não para polemizar a vida das pessoas.
(Roberta Paraense/Diário do Pará)
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