Do lado de fora do Hospital de Pronto-Socorro Municipal (PSM) Humberto Maradei, no Guamá, o vigilante Robson Carvalho, 34 anos, ouviu os gritos de dor da sua tia, que aguardava por atendimento lá dentro. Acomodada, improvisadamente, no corredor próximo à porta de entrada, ela e outros pacientes sofriam na pele as consequências da superlotação no PSM. Esta situação também foi constatada por membros do Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará (CRM-PA), durante fiscalização realizada na manhã de ontem.
Ao mesmo tempo em que os conselheiros circulavam por todas as alas do hospital, avaliando as condições de atendimento oferecidas, o apelo de Maria de Lourdes, 41 anos, era por uma solução para as fortes dores causadas em decorrência de pedras na vesícula. “Ela tá gritando lá de dor e ainda não conseguiram atender direito. Ela tá aqui na frente, no corredor, com ânsia de vômito e ainda não deram o remédio pra ela”, reclamava Robson Carvalho, diante da impossibilidade de solucionar o caso por conta própria.
Orientado a aguardar do lado de fora, enquanto a tia era acompanhada por outro membro da família dentro do prédio, o vigilante recordou que o atendimento ficou ainda pior, no local, após o incêndio que, em junho deste ano, atingiu o PSM Mário Pinotti, na Travessa 14 de Março, e que matou 3 pessoas. “Dá pra ouvir a minha tia gritando de dor daqui de fora. Eu queria que o prefeito (Zenaldo Coutinho) viesse fazer uma visita aqui. Ficar em um gabinete, só observando, até eu sei fazer”.
Já evidenciado mesmo do lado de fora, o cenário alarmante foi constatado pelos representantes do CRM ao longo da visita que percorreu os setores do hospital. As palavras escolhidas pela conselheira Izabel Morhy, para descrever a situação, dão a dimensão do problema enfrentado diariamente não apenas pelos pacientes, mas também pelos profissionais de saúde que ali atuam. “O PSM do Guamá virou um cenário de guerra”, disse.
MÉDICOS
Acompanhados pela direção tanto do PSM do Guamá, quanto do PSM da 14 de Março, os conselheiros identificaram que o número de médicos trabalhando no Pronto-Socorro é insuficiente para atender a demanda. Como consequência, os profissionais de saúde são obrigados a atuar com sobrecarga de trabalho e até mesmo a higiene do local fica comprometida pela demanda elevada.
“Você tem dificuldade de circulação, os profissionais têm dificuldade pra identificar os pacientes, por estarem amontoados, e um jardim de inverno está sendo usado como sala de espera”, disse a conselheira.
RELATÓRIO
Nos rápidos minutos em que a porta do PSM era aberta, dava para observar a enorme quantidade de pacientes nos corredores do hospital. A todo momento, chegavam ambulâncias e carros particulares com mais pessoas necessitando de atendimento. Apenas no tempo em que a equipe do DIÁRIO esteve no local, de 9h às 11h, seis ambulâncias com paciente chegaram. Como resultado da vistoria, um relatório dos problemas encontrados e com sugestões de possíveis soluções deve ser elaborado pelo CRM e encaminhado aos órgãos competentes.
Paciente não consegue balão de oxigênio.
PROBLEMAS ENCONTRADOS
Número insuficiente de médicos
Sobrecarga de trabalho
Higiene comprometida
Profissionais com dificuldade para identificar pacientes.
Jardim de inverno está sendo usado como sala de espera.
(Cintia Magno/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar