Os servidores do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPSAD), unidade de saúde ligada à Prefeitura de Belém, paralisaram as atividades na manhã desta quinta-feira (03) por ausência de serviço de segurança no local. Os funcionários denunciam também casos de ameaças sofridas e falta de estrutura.
De acordo com denúncias dos servidores da unidade, o funcionário de uma empresa terceirizada de vigilância - que realizava aa segurança do local - entregou o posto na última terça-feira (01) por problemas contratuais entre a empresa contratada e a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma).
"Nos serviços do CAPSAD, atendemos uma especificidade, já que é um trabalho com dependentes químicos e moradores com vivência de rua. Muitos deles vêm de contextos violentos", explica um servidor do local.
Na rotina da instituição, já foram registradas ameaças de frequentadores do local aos servidores e ameaças entre os próprios frequentadores. "Os funcionários têm sofrido ameaças. Não podemos subestimar uma pressão dessa forma. Ontem mesmo ouvimos relatos de que um usuário está mobilizando outros frequentadores contra os servidores da casa", denuncia o servidor.
Há denúncias, inclusive, de usuários que estão frequentando a unidade de saúde portando armas brancas. "Atendemos alguns frequentadores há muito tempo. Muitos deles entendem a situação dos servidores, da falta de estrutura, e não concordam com as ameaças. No entanto, outros fazem acompanhamento há pouco tempo e querem respostas imediatas, realizado, às vezes, pressão de forma violenta. Isso compromete a relação terapêutica", relata o denunciante.
Os funcionários devem registrar Boletim de Ocorrência coletivo na Seccional de São Brás por causa das ameaças sofridas, além de encaminhar relatórios para a Sesma, para o Ministério Público e para os Conselhos de Classes.
"É necessário guarnecer o patrimônio do CAPS e isso inclui tanto os funcionários quanto os próprios usuários. Essa é uma casa que tem como objetivo oferecer saúde. Não podemos aceitar que alguém saia ferido", desabafa.
FALTA DE ESTRUTURA
Segundo os servidores, a crise na segurança foi apenas a "gota d’água". "Temos outras questões que prejudicam o atendimento. Falta estrutura física, falta recursos humanos, não há recursos financeiro para os suprimentos de fundos. Temos a situação cadastral dos serviços que estão vencidos", continua o funcionário.
O CAPSAD atende, em média, 40 pessoas por dia (esse número pode aumentar em alguns dias da semana), entre dependentes de álcool e drogas e cidadãos em situação de rua.
A unidade é composta por uma equipe de enfermeiros, técnicos de enfermagem, psicólogos, farmacêuticos, professores de educação física, nutricionista e assistentes sociais, mas ainda faltariam pedagogos e oficineiros, por exemplo, denunciam os profissionais de Centro de Saúde.
O DOL entrou em contato com a Sesma e aguarda retorno.
(DOL)
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