A pesquisa feita pelo Dieese e Setur com os turistas que vieram a Belém no Círio de 2014 elencou os pontos turísticos mais visitados na época. A Basílica Santuário é o local mais procurado, seguida da Estação das Docas, do mercado do Ver-o-Peso, Mangal das Garças e Portal da Amazônia. A pouco mais de um mês do Círio, a reportagem do DIÁRIO percorreu três pontos bastante frequentados, incluindo a Praça da República, palco de barracas com vendas de artesanatos e comidas durante os dias de procissão. E a constatação não foi das melhores. Confira:
VER-O-PESO: CALOR E ACÚMULO DE SUJEIRA
Na opinião de Vilma de Oliveira, de 29 anos, vendedora de comida caseira, há 4 anos no mercado, o local já é movimentado normalmente, mas com a chegada de turistas os corredores ficarão cheios e a sensação de calor vai aumentar. “Já tive experiência com turistas aqui. Muitos reclamaram da quentura, porque aqui não tem circulação de vento, é abafado, mesmo estando na beira do rio. A tenda está muito suja e isso é feio. Quando chove, esse bueiro do lado enche e a água vaza, chega a invadir aqui dentro”.
A estudante Ingrid Cardoso, de 24 anos, considerou o espaço sujo. “É um lugar tão visado nacionalmente e amado por qualquer pessoa que more aqui, mas está na hora de receber melhorias e não só porque o Círio está chegando. Se eu fosse turista, acharia muito feio e muito sujo”, opinou.
Outra reclamação de vendedores e visitantes está relacionada à insegurança.
PORTAL DA AMAZÔNIA: ESTRUTURA DEFICIENTE
Quem visita o Portal da Amazônia pela manhã se depara com a falta de infraestrutura. Nos quase 2 quilômetros de extensão, não existe nenhum ponto de venda de água ou de comida. Também não há banheiro disponível. Bancos para sentar há vários, mas todos sem proteção para o sol.
“Tem banheiro ali, mas não está aberto. O jeito é atravessar e urinar no muro ou descer e urinar no rio”, contou o atendente Wanderson Messias, de 25 anos.
O motorista Mateus Ribeiro de 45 anos, acompanhava o amigo Luiz Moraes, de 83, e se disse atento para evitar um algum tipo de abordagem criminosa. “Observei que não há guardas nesse momento, mas sei que eles ficam em ronda, não é possível ficar em um lugar só”, disse Mateus.

Foto: Bruno Carachesti/Arquivo
PRAÇA DA REPÚBLICA: A CARA DO ABANDONO
Opção de lazer dominical, a Praça da República já quase não tem bancos para sentar. Vários estão com o assento de madeira quebrado. O monumento que data o século 19 em homenagem à República, em seus majestosos 20 metros de altura, está completamente pichado. As pedras que formam o calçamento estão soltas e podem provocar quedas.
Vítima da insegurança, a agente de uma cooperativa que fica embaixo do coreto e que pediu para não ser identificada, contou que convive com o medo. Ela trabalha sozinha e administra os banheiros feminino e masculino. “Não me vejo segura”, disse ela, que tem 60 anos.

Foto: Marcelo Lelis
(Diário do Pará)
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