Desde os seis anos, I.C.A, 20 anos, precisa tomar remédio para viver normalmente. A falta de informação e conhecimento da mãe dela, na década de 1990, provocou a contaminação da Aids durante o parto. “Ela não sabia que estava infectada. Quando descobriu que era portadora, tive que fazer os exames e foi constatado que eu também estava com a doença”, conta a jovem, que reside com a família em Parauapebas, um dos municípios com maior índice de infectados com o vírus HIV em todo o Estado. De acordo o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, do Ministério da Saúde, o Pará ocupa a 7ª posição no ranking dos casos em todo o País, sendo Belém a quinta capital com maior índice de infectados, incluindo ainda sete cidades paraenses entre os cem municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes.
Diante dessa realidade e sem nenhum tipo de investimento dos órgãos de saúde, estadual ou municipal, o Centro Magis de Juventuve, realizou neste fim de semana o Encontro Estadual de Jovens Vivendo com HIV/Aids, que acontece anualmente há seis anos. O evento reuniu dezenas de jovens de todo o território paraense em dois dias de atividades, palestras, oficinas e bate-papo. Com o tema “Juntos Somos Mais”, o objetivo principal era agregar a juventude portadora do vírus em um convite aberto à rede no Pará, priorizando a articulação dos jovens dentro do Estado.
“O nosso Estado ainda é carente de políticas públicas voltadas para a informação e prevenção da doença. Há uma deficiência no tratamento e ineficiência com a prevenção”, afirma Paulo Victor, um dos coordenadores do evento. Para o coordenador, o crescimento atual se tem dado na população jovem e gay. “Por isso precisamos ter atividades relacionadas a esse jovem, utilizando ferramentas que sejam eficazes para abordagem dessa população. E também prepará-lo para desenvolver no seu município”, esclarece Paulo Victor.
Mesmo com eventos que visam mobilizar a sociedade, especificamente a parcela da população soropositiva, ainda há caminhos longos a serem trilhados na tentativa de esclarecer dúvidas e combater o preconceito.
“A prevenção só se dá com a informação. Não adianta distribuir preservativos e não conscientizar esse grupo. É necessário o envolvimento dos órgãos de saúde, no atendimento, em assistência e ações sociais”, aposta o coordenador.
(Diário do Pará)
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