Na semana passada, o DIÁRIO publicou ampla reportagem, mostrando que dezessete governadores do Brasil conseguiram reduzir os gastos públicos. Mas Simão Jatene não foi um deles. Não é de se estranhar. O governador do Pará não demonstra muito cuidado quando se trata de gastar o dinheiro do contribuinte. Se investisse para melhorar a segurança, a saúde, as estradas e a educação do Estado - todas em péssima situação -, seria ótimo. Mas as prioridades de Jatene são outras. Só em 2014, seu governo torrou cerca de R$ 170 milhões, apenas em viagens. É muito dinheiro. Esse valor é mais do que o dobro do que o próprio Jatene gastou em 2011, primeiro ano do seu primeiro mandato, quando ele consumiu R$ 82 milhões em viagens do Governo.
AUMENTO DE 644%
Com os R$ 170 milhões que gastou em viagens no ano passado, o Governo Jatene poderia ter construído quatro hospitais do tamanho do Metropolitano, em Belém (ver quadro ao lado e abaixo). Esse valor representa a maior despesa de viagens do Governo do Pará nos últimos 16 anos e revela um aumento de 644,39% em relação ao ano de 1998. Se tomarmos como base o ano de 2010 - o último do governo petista -, o aumento é de 85%.
Se a comparação for feita com o ano não-eleitoral de 2013, o aumento fica em torno dos 40%, quase sete vezes a inflação do período, que foi de pouco mais de 6%. Os números foram extraídos pelo DIÁRIO DO PARÁ do Balanço Geral do Estado (BGE), documento que registra todas as receitas e despesas do Governo Estadual.
A gastança do Governo Jatene com viagens é tão impressionante que conseguiu superar, proporcionalmente, até a do Governo Federal. Em janeiro deste ano, o site Contas Abertas provocou escândalo, ao revelar que o Governo Federal consumiu, em viagens, no ano passado, R$ 2,7 bilhões. No entanto, esses R$ 2,7 bilhões, quando divididos pela população brasileira - mais de 200 milhões de habitantes -, resultam em um custo de R$ 13,31 por cidadão. Já os R$ 170 milhões gastos pelo Governo Jatene, quando divididos pela população do Estado - pouco mais de 8 milhões de pessoas - representam um custo de R$ 20,70 por habitante, mais de 50% acima dos gastos federais por cidadão.
METADE DOS GASTOS
É tanto dinheiro, que esses R$ 170 milhões representam 52,49% de tudo o que o Governo do Pará investiu em material de consumo, em 2014: R$ 318,5 milhões. E esse material de consumo não é apenas o papel ou a caneta usada nas repartições. Inclui, também, combustíveis e lubrificantes para carros e aviões, gêneros alimentícios, materiais de proteção e segurança, munições, artigos de copa, cozinha, produtos odontológicos, hospitalares e ambulatoriais, fardamentos, ferramentas, suprimentos de informática. Enfim, tudo aquilo que não é duradouro e que o Governo comprou para todas as repartições, escolas, postos de saúde, hospitais, excetuando mercadorias embutidas em contratos de terceirização.
(Ana Célia Pinheiro/Diário do Pará)
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