O desemprego tem batido na porta dos brasileiros, na esteira da crise econômica. De acordo com pesquisa divulgada no final de agosto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o primeiro trimestre de 2015 contabilizou oito milhões de desempregados. É 1,5 milhão a mais, comparado ao mesmo período do ano passado. Porém, por mais desaquecido que esteja o mercado de trabalho, há uma saída. Para os especialistas, ela está na aposta pela qualificação profissional. A justificativa é simples: há vagas disponíveis e elas aguardam para serem ocupadas por profissionais qualificados. O Banco Nacional de Empregos (BNE), por exemplo, lista quase 200 mil postos de trabalho em todo o País. Na somatória apenas das regiões Sul e Sudeste, são cerca de 70 mil cargos em diversas áreas.
Segundo Nara Abdon, diretora da Gestor Consultoria, quem tem contratado em larga escala no Pará são as empresas do agronegócio, como indústrias de grande porte, multinacionais, pequenas empresas de serviços ou de produtos voltados ao setor rural.
A diretora da empresa de capacitação e recrutamento ressalta: a falta de qualificação profissional é um problema histórico no país - e só poderá ser sanado com um plano de Estado pensado na atividade econômica de cada região. “Na lista dos mais importantes problemas de toda a empresa está o de pessoas qualificadas para postos de trabalho, tanto estratégicos quanto técnicos’’.
VAGAS SOBRANDO
O levantamento da Gestor Consultoria indica que há mais vagas ofertadas para profissionais de nível técnico do que nível superior. Os dados do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) reforçam que foram abertos em 2014, no Brasil, sete mil vagas para técnicos das áreas de manutenção e reparo.
Nara Abdon lembra: a área técnica paga tão bem quanto gerentes atuantes no varejo. “Culturalmente, o profissional brasileiro não dá importância ao curso técnico e busca sempre o terceiro grau. Por isso temos nos últimos 20 anos uma lacuna enorme nesta fatia. É um preconceito sem precedentes’’, enfatiza.
CAPACITAÇÃO
Independente de formação técnica ou superior, cursos de especialização, intercâmbios e experiências profissionais projetam o profissional à frente da concorrência. Se comunicar por meio de outro idioma também deve ser prioridade para quem busca um emprego.
A gerente de recursos humanos Kelly Silveira destaca que a rede hoteleira no Pará encontra dificuldade em preencher as vagas com profissionais que falem fluentemente a língua inglesa. A mesma dificuldade ela encontrou em uma empresa que trabalha, no ramo de eletroeletrônicos. Foi demorado conseguir preencher uma vaga de gerente comercial, justamente por que faltam profissionais com domínio em inglês.
Além dos conhecimentos, as empresas atualmente passaram a avaliar o perfil do empregado. E hoje não há mais espaço no mercado para trabalhadores de uma única função. “Ele tem que ser proativo, dinâmico, e que veja o problema e leve a solução’’, diz Kelly.


(Renata Paes/Diário do Pará)
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