Entre o movimento de consumidores em busca dos mais variados produtos, os problemas estruturais enfrentados pelos feirantes do Complexo do Jurunas vão aparecendo sem que seja necessário muita procura. Além dos fios elétricos atravessados improvisadamente de um box a outro, os grandes buracos espalhados por toda a cobertura da feira chamam a atenção.
Tendo de reparar os caranguejos expostos para a venda, o feirante Lucival Coimbra, 50 anos, precisa dividir a atenção sempre que chove. Com um enorme buraco na cobertura localizado em cima de seu box, ele afirma que não é preciso uma chuva muito intensa para que o local já fique alagado. “Tem mais de dois anos isso aí e nunca ajeitam. Quando chove alaga tudo e a gente tem de ficar com uma vassoura escorrendo a água”.
No local desde a época em que o complexo foi construído, em 1993, Lucival afirma que já foram muitas as promessas de reforma. Nenhuma, até o momento, se concretizou. “Já vi fazerem mais de 10 projetos e nunca colocam em prática”. Segundo ele, na gestão do prefeito Zenaldo Coutinho a situação se repete. “Agora disseram que iam começar uma reforma em março, depois julho, agosto e já vai começar o inverno e nada”.
A cobertura feita de placas de metal ainda oferece riscos a quem passa. Em algumas partes, a impressão que se tem é de que, a qualquer momento, um pedaço solto pode cair. “A gente fica preocupado porque é perigoso, mas o abandono aqui no complexo é geral”.
INCÊNDIO
Já próximo à área de venda de refeições, o buraco no telhado é ainda maior. Permissionária de um dos boxes, Andreia Rodrigues, 40 anos, conta que o problema teria sido provocado por um incêndio ocorrido no local. “Pegou fogo e perdemos tudo. Nem o telhado consertaram quanto mais os boxes”. Lembrando os transtornos vivenciados no início deste ano, a feirante já se preocupa com o que vai enfrentar a partir de dezembro. “Quando chove a gente tem de andar de sombrinha aqui dentro. As instalações elétricas são muito velhas já, não tem rampa de acesso para pessoas com deficiência”.
Consumidor da feira que conta, segundo informações divulgadas pela própria Prefeitura de Belém, com cerca de 400 feirantes, o rodoviário Antônio Jhones, 19 anos, já evita de ir ao local no inverno. “Quando chove eu nem venho porque alaga tudo. Todo tempo é assim”.
Para a aposentada Francisca Moraes, 74 anos, uma reforma deveria ser providenciada em caráter de urgência no local. “Essa feira recebe tanta gente, tinha que ser melhor organizada”.
A Secretaria Municipal de Economia (Secon) afirma que as dificuldades encontradas no Complexo do Jurunas foram inclusas no projeto de revitalização do espaço, previsto para iniciar ainda neste segundo semestre.
(Cintia Magno/Diário do Pará)
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