Este ano o Boto Cor-de-Rosa se apresentou primeiro, com o tema, “Carimbó: a festança do Sairé”. Ele contou um pouco da história de como surgiu o gênero musical mais paraense de todos.
Ninguém ficou parado, desde a entrada ao som de “Chama Verequete”, um clássico do carimbó do grande Mestre Verequete, que embalou o início da apresentação. O ritual de cura dos Tupinambás apresentou o curandeiro, e cada personagem destaque saiu de dentro de uma alegoria.
O colorido afro e as fitas multicores usadas pelos carimboleiros davam vida às alegorias e vestimentas. O Boto Homem deu um show de dança dominou os passos de carimbó. Junto dele, a cabocla esbanjou a beleza da mulher santarena, ele entrou tocando um violão e o curandeiro preparou o terreiro para ela, a cabocla, tocou o pesado curimbó. E na beira do Lago Verde, eis que surgiu um dos mestres: o violonista santareno Sebastião Tapajós solava enquanto surgia o Boto Homem para seduzir a menina cabocla.
TUCUXI
O Boto Tucuxi foi o segundo a se apresentar. Ainda no aquecimento, o público deu um show à parte. A arquibancada ficou tomada pelo verde e branco, cor oficial do Tucuxi. Com músicas na ponta da língua dos santarenos, como “Sairé pra dançar”, a cada item apresentado a galera vibrava.
Com o tema “O encanto da Amazônia”, o Boto Tucuxi falou sobre as lendas da região - e e em especial, é claro, da lenda do boto. Com um roteiro imaginativo, tendo como personagem um índio pescador, o Tucuxi apostou nas artes cênicas em alegorias gigantes e muito carimbó. A voz do cantador ecoou no Lago Verde e arrepiou o público logo nos primeiros minutos de apresentação.
“Eu tô achando muito bacana, é a primeira vez que a gente está vindo aqui curtir esse festival de Santarém. Está muito legal e o Tucuxi vai ganhar”, dizia empolgado Emerson Aquino, que veio de Porto Trombetas, distrito de Oriximiná, para ver o festival.
Na sedução do Boto, a cabocla, apesar de interpretar a personagem pela primeira vez, apresentou um espetáculo singular do encantamento. Junto a ela, a experiência do Boto Homem, já há 16 anos no posto. “Foi inigualável. A torcida foi nota 10, todos os itens deram show. Acho que a gente encantou e tem de comemorar, porque é muito trabalho e dedicação”, disse Alex de Oliveira, o boto do Tucuxi.
(Rapahel Ribeiro/Diário do Pará)
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