Um Governo que não se dispuser a usar pelo menos 10% em investimentos não terá feito absolutamente nada”. A declaração é de Simão Jatene. O próprio governador fez essa afirmação, em 2011, ao lançar a sua Agenda Mínima. E temos de admitir: ele está certo. Tudo estaria ótimo, não fosse por um detalhe: o próprio Jatene não segue sua receita do que seria um bom gestor. Desde que assumiu o comando do Pará, em 2011, ele nunca chegou aos 10% de investimento. Pior: nos últimos 20 anos, nenhum governador paraense teve tanto dinheiro quanto Jatene e, por outro lado, investiu tão pouco no Estado. Entre 2011 e 2014, as receitas totais do Governo somaram mais de R$ 76,6 bilhões - em valores atualizados -, num crescimento real de quase 200% em relação ao primeiro Governo de Almir Gabriel, cujas receitas, entre 1995 e 1998, ficaram em R$ 25,7 bilhões.
O problema, para o povo do Pará, é que, mesmo com esse dinheirão todo nas mãos, Jatene é o governador com os piores índices de investimentos das últimas duas décadas. Entre 2011 e 2014, a média anual de investimentos de Jatene ficou em apenas 6,4% das despesas totais. Ou seja, pelas palavras do próprio Jatente, o povo paraense pode afirmar que o governador não fez “absolutamente nada” pelo Pará. Comparar os investimentos do atual Governo de Jatene aos de seus antecessores deixa qualquer paraense preocupado.
Considerando a receita total do Pará por habitante, a chamada “renda per capita”, calculada quando se pega todo o dinheiro que um governo possui e divide pela população, o cenário fica pior. Em 1998, último ano do seu primeiro mandato, Almir Gabriel tinha apenas R$ 1.460 - em valores atualizados -, para gastar com cada paraense, ao longo de 12 meses. Mesmo com o orçamento apertado, ele investiu 16,6% de tudo o que gastou para melhorar a qualidade de vida da população. O atual Governo Jatene também perde feio para a petista Ana Júlia Carepa, que, em 2010, no último ano da sua administração, tinha R$ 2.193 para gastar com cada paraense e investiu 11%. Nos 4 anos do seu governo, ela teve média de investimentos de 8,8%, bem acima dos 6,4% de Jatene.
No ano passado, Jatene dispunha de R$ 2.620 - valores atualizados -, para gastar com cada morador do Pará, durante todo o ano, mas só investiu 7,9% - bem menos do que investiram Almir e Ana Júlia. A tradução dos números mostra que, do total de R$ 18,7 bilhões que o governador tinha para gastar, no ano passado, com os cerca de 8 milhões de habitantes do Estado, apenas R$1,49 bilhão (os tais 7,9%) foram dedicados a investimentos. Isso significa que Jatene investiu, em cada paraense, exatamente R$ 0,51, por dia, durante todo o ano de 2014. Isso mesmo: 51 centavos. Não dá nem para comprar um picolé para aplacar o calor amazônico.
VERGONHA
No ano passado, pela quarta vez consecutiva, o Estado foi o lanterna de investimentos do Norte do País. Em outras palavras, todos os governadores da região investiram mais em seus estados do que Jatene no Pará. O Acre foi o campeão, investindo 19% de tudo o que gastou. Em seguida, vêm Roraima (14,5%), Amazonas (14,2%), Tocantins (12,5%), Amapá (9%) e Rondônia (8,2%). No Pará, esse número ficou nos já citados 7,9%. O Estado perdeu até para Maranhão (13%) e Piauí (12,3%), dois dos estados mais pobres do País e que sempre aparecem na lista dos piores indicadores sociais do Brasil. É muita vergonha para um Estado do tamanho e da força do Pará.
O mais grave é que nada deve melhorar. Os números são claros. Este ano, o orçamento do Governo do Pará é de R$ 20,8 bilhões. De janeiro a julho, de acordo com o Balancete do Estado, Jatene já gastou quase R$ 11,5 bilhões. Desse total, apenas R$ 835,7 milhões foram destinados a investimentos, o que representa apenas 7,2% da despesa total - número ainda pior do que os 7,9% de 2014. Diante dessa realidade, uma questão precisa ser respondida pelo governador: até quando o Pará, com os déficits históricos da rede pública e o crescimento populacional, conseguirá suportar níveis tão baixos de investimentos, sem que mergulhe numa catástrofe social?.
(Ana Célia Pinheiro/Diário do Pará)
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