Em abril de 2011, ao lançar a sua Agenda Mínima, Jatene declarou que “um governo que não usar pelo menos 10% do que tem nos cofres em investimentos não terá feito absolutamente nada”. Na ocasião, ele prometeu investir 10% da receita do seu governo, então estimada em R$ 48 bilhões, para 4 anos. Isso daria R$ 4,8 bilhões de investimentos. Por isso, jornalistas ligados à Griffo, agência de propaganda que ganha todas as licitações dos governos tucanos, passaram a espalhar que Jatene havia cumprido a promessa. Não é bem assim. Pela leitura do Balanço Geral do Estado (BGE) - que registra receitas e despesas do Governo do Estado a cada ano - fica óbvio que Jatene não cumpriu a meta estabelecida por ele mesmo.
No BGE, os investimentos do governador, entre 2011 e 2014, somaram R$ 4,1 bilhões. Mas as receitas desse período, também em valores da época, ficaram em R$ 66 bilhões. Para cumprir a meta de 10%, ele teria de investir R$ 6,6 bilhões, ou R$ 2,5 bilhões a mais do que realmente investiu. O povo do Pará quer saber: o que Jatene fez com os R$ 2,5 bilhões, que deveriam virar escolas, estradas, hospitais e delegacias?
Um governo cada vez pior
Há, basicamente, dois grandes grupos de despesas públicas: custeio e investimento. Custeio é aquilo que se gasta apenas para manter a máquina pública em funcionamento, coisas como o combustível dos carros, o papel das repartições, o serviço de limpeza dos hospitais, a pintura de uma escola. Já o dinheiro dos investimentos aumenta a estrutura física do Poder Público e deveria melhorar a qualidade dos serviços prestados à população, como saúde, educação, segurança e transporte.
É com investimentos que um governador pode, por exemplo, construir e equipar escolas, erguer hospitais e postos de saúde, pavimentar estradas, comprar viaturas policiais, construir delegacias, presídios. É por isso que, quando o serviço público é ruim e o investimento escasseia, a tendência é que vá se tornando cada vez pior. Até porque a população não para de crescer. Segundo o IBGE, o Pará ganha, a cada ano, 130 mil novos habitantes. Ou seja, há sempre mais gente precisando de mais serviços, e o Governo não faz a sua parte. E é por isso que o povo paraense vive com a eterna sensação de que a situação no Estado está cada vez pior, em todos os setores.
(Ana Célia Pinheiro/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar