Ainda na entrada da Escola Estadual Preventório Santa Terezinha, localizada na avenida Almirante Barroso, já fica evidente o desperdício do espaço por total falta de manutenção. Apesar de ter cômodos amplos e uma área externa com piscina, as péssimas condições do prédio não apenas restringem o acesso das pessoas, como também oferecem riscos a quem precisa circular pelo local. Diante dos problemas, professores e alunos decidiram parar as atividades, do último dia 23 até o dia 25.
Sem qualquer possibilidade de uso, o refeitório localizado nos fundos do prédio dá a dimensão dos riscos. Amplo, o salão rodeado por janelas ainda tem as extensas mesas e bancos de madeira que seriam usados pelos alunos para as refeições. Com o forro despencando sobre os móveis, porém, é fácil compreender por que não há quem tenha coragem de permanecer no local.
O risco de queda de um pedaço de madeira sobre a cabeça de quem passa é grande também em outros cômodos da escola e até mesmo nos corredores. Interditada, a grande cozinha com padrão industrial já não serve mais para a preparação da merenda escolar, que deveria ser oferecida aos cerca de 400 alunos.
A sala de aula da educação especial teve de, improvisadamente, receber o fogão, pia, mesa e um armário. Solução que, em decorrência de outro problema, também já vem se mostrando arriscada. “Aqui já temos duas rachaduras enormes entre o teto e as paredes”, aponta a professora e integrante da coordenação do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp), Conceição Holanda.
Restritas pelas más condições, as salas de aula têm problemas constantes com o abastecimento de energia elétrica. Voltada para abrigar uma turma do segundo ano do ensino fundamental, uma das salas vive permanentemente no escuro. Sem energia elétrica e janelas, a escuridão é tanta que, mesmo durante o dia e com a porta aberta, dentro do cômodo não é possível enxergar mais do que um palmo de distância. “As salas ficam às escuras, os aparelhos de ar condicionado não funcionam e nenhuma tem ventilador. Os pais já fizeram coleta pra trocar as lâmpadas, mas o problema não é esse, é com a fiação”, recorda Conceição.
MATO
Com dois filhos estudando no local – Rayssa Caroline, de 8 anos; e Ronald Carlos, de 11 anos -, o operador de produção Ronaldo Cid, 42 anos, aponta que os problemas não se concentram na área interna da escola. Do lado de fora, o local que deveria ser utilizado para as aulas de educação física está tomado pelo mato.
Na área coberta, onde antes eram realizadas as aulas de capoeira, as atividades tiveram de ser interrompidas pela grande concentração de fezes de aves. Ao fundo, a piscina é uma das maiores preocupações. “Essa água fica parada aí e fica cheio de larva de mosquito”, reclama.
Também pai de alunos na escola, o autônomo Arisson Wanderley, 33 anos, lembra que, frequentemente, precisa sair mais cedo do trabalho para buscar os filhos na escola. Sem merenda, as crianças são sempre liberadas mais cedo. “Os meus filhos reclamam todo dia que não tem merenda. Eles têm de sair às 10h, sendo que o certo era sair 11h30. O ensino deles já está comprometido”.
Professores e alunos fizeram paralisação.
(Cintia Magno/Diário do Pará)
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