A CTPR, localizada em Marituba, teve todo o projeto orçado em aproximadamente R$ 40 milhões, um investimento viável para o tratamento do lixo de toda a RMB. Um dos desafios no Estado do Pará, no entanto, é pensar em estruturas menores – dentro do mesmo modelo de aterro sanitário – que possam ser viáveis em municípios menores. Albino Alvarez, técnico de Planejamento e Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), afirma que as grandes dimensões geográficas do Pará e as distâncias entre os municípios dificultam as soluções para a destinação adequada dos resíduos. “Para municípios pequenos, com até 20 mil habitantes, por exemplo, fica cara a criação de aterros sanitários”, explica o técnico do Ipea.
Nesse sentido, uma das soluções possíveis para o problema seria a formação de consórcios de cidades. O engenheiro Caio Ávila, da CTPR, reforça: “O que é preciso é a realização de estudos de área e de viabilidade, diálogo com órgãos ambientais”.
PROBLEMAS SOCIAIS
Sem intervenção do Poder Público, um lixão pode ser tornar espaço onde se reúnem diversas mazelas sociais, como a falta de regulamentação trabalhista, a exposição a condições degradantes, insalubres e perigosas e casos de trabalho infantil. Segundo estudo do Ipea, o Pará é o Estado da região Norte que possui o maior número de catadores declarados (ver box ao lado). Com o encerramento das atividades do lixão do Aurá, apenas um dos tantos existentes no Estado, cerca de 1.800 famílias perderam a fonte de renda que utilizaram por décadas. “Não devemos apenas nos preocupar com a questão dos resíduos sólidos em si, mas também com o futuro desses catadores. O que o Estado, no aspecto de municipalidade, tem para dar uma segurança a esses profissionais?”, questiona o procurador do trabalho Hideraldo Machado, do Ministério Público do Trabalho (MPT) da 8ª Região.
(Hélio Granado/DOL)
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