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Engenheiros criticam situação da Cosanpa

A falta de recursos financeiros e de materiais para a manutenção da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) estimularam engenheiros que atuam há 4 décadas no órgão a denunciar a situação precária da instituição. Segundo a presidente do Sindicato dos Eng

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A falta de recursos financeiros e de materiais para a manutenção da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) estimularam engenheiros que atuam há 4 décadas no órgão a denunciar a situação precária da instituição. Segundo a presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Pará (Senge), Eugenia Von Paumgartten, a Cosanpa tem hoje um déficit equivalente a 180% em sua arrecadação, causada pela defasagem do valor cobrado na conta de água, que está congelada, segundo ela, há 7 anos.

A proposta do Senge para amenizar essa situação é de aumentar o valor da tarifa ao longo de 3 anos. “A população é quem vai pagar pela má gerência do Estado, infelizmente”, lamenta a presidente. Por medo de retaliação, 3 engenheiros da Cosanpa fizeram outras denúncias, mas pediram para não ser identificados. Um deles afirma que, sem manutenção preventiva há 20 anos, o Complexo Bolonha, cujos mananciais abastecem a Grande Belém, está tomado de macrófitas, que são plantas aquáticas que prejudicam a qualidade da água.

Segundo ele, seriam necessários R$ 1,2 milhão para a retirada dessas plantas, mas o serviço é apenas paliativo. Ele alerta que essas macrófitas estão se espalhando e que, quando morrem, se depositam no fundo dos lagos, provocando o acúmulo de matéria orgânica em decomposição e um processo denominado de eutrofização, que é o acúmulo de fósforo e nitrogênio, prejudiciais ao meio ambiente. “O serviço de dragagem seria o essencial a ser feito, mas não há vontade política e o problema só tende a se agravar”, relata o engenheiro. A última dragagem foi feita em 1995, segundo Eugenia.

PRIVATIZAÇÃO

Outra preocupação é com a possibilidade de privatização da Cosanpa. Segundo os engenheiros, o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, não renovou a concessão para o serviço de tratamento e distribuição da água com o Governo do Estado. “Com isso, a suspeita da categoria é que Jatene e Zenaldo privatizem o órgão”, avalia Eugenia.

As instalações da Cosanpa também sofrem com o descaso. Os engenheiros contam que a instituição trabalha sem recursos, o que impede o órgão de fazer a manutenção dos sistemas. “Atuamos de forma emergencial. Prova disso foi o incêndio dos quadros de comando de motores e da subestação do Bolonha”, lembra o engenheiro. O episódio ocorreu em junho deste ano.

(Diário do Pará)

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