O empresário Rômulo Maiorana Júnior tem debochado reiteradamente da Justiça do Pará. Intimado 3 vezes a depor sobre o contrato de aluguel, pelo Governo de Simão Jatene, de uma aeronave de sua empresa, a ORM Air Táxi Aéreo Ltda, Rômulo Junior se recusa a comparecer. A última convocação foi feita para a última sexta-feira porém, mais uma vez, o empresário não compareceu. Faltou alegando problemas na pressão arterial. O depoimento foi então remarcado para o próximo dia 19. Resta saber se, mais uma vez, Rômulo vai faltar apostando que não sofrerá as consequências.
Não existe um limite de vezes em que uma testemunha possa alegar problemas de saúde para faltar a depoimento. Nesses casos, prevalece o bom senso da Justiça e do Ministério Público. A intenção da Justiça Militar é dar um ultimato a Maiorana Júnior. Caso não compareça na próxima segunda-feira, a sessão será suspensa e o empresário será procurado por um oficial de Justiça e conduzido ao local. Se apresentar reação, poderá ser algemado.
Rômulo está sendo chamado para depor, ainda na condição de testemunha, na ação da Justiça Militar que processa 2 assessores direitos de Simão Jatene: coronel Fernando Augusto Dopazo Noura, que foi chefe da Casa Militar de Jatene; e o tenente-coronel César Maurício de Abreu Mello, atual ocupante do cargo. O caso, contudo, também está na esfera civil, onde o empresário é réu.
Ministério Público constata irregularidades em contrato A contratação do jatinho da ORM Táxi Aéreo é a parte mais visível das escandalosas relações entre o Governo de Jatene e os Maiorana. O contrato é de cerca de R$ 2,6 milhões para 2 anos e tem uma série de irregularidades, segundo constatou o Ministério Público, que decidiu processar os oficiais responsáveis diretamente pelo negócio. Para contratar o jato de Rômulo, a Casa Militar de Jatene alegou atrasos em voos comerciais, a segurança do governador e dificuldades em emergências médicas. Tudo isso sem apresentar provas e dados que comprovassem esses problemas. A licitação exigiu também que a aeronave tivesse, no máximo, 10 anos de uso, o que não tem respaldo das normas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que exige apenas inspeções para garantir a segurança dos voos. LICITAÇÃO Esse ponto pode indicar que houve um direcionamento do processo licitatório, conduta vetada na Lei das Licitações . A empresa de Rômulo não precisou apresentar também planilha de custos das viagens, o que impossibilitou a avaliação da vantagem apresentada em relação a outra solução. Uma vez contratada, a ORM Táxi Aéreo não precisou se preocupar em comprovar que os serviços pelos quais receberia haviam sido prestados, como constava no contrato, já que os encarregados de regular o contrato, coronel Noura, chefe da Casa Militar de Jatene, e o tenente César Maurício Mello, então diretor de operações da Casa Militar e fiscal do contrato com a ORM Air, demonstraram desconhecimento das normas contratuais. A empresa de Rômulo ainda é investigada pela Receita Federal por cometer os crimes de evasão de divisas e sonegação fiscal na compra do jatinho que depois seria alugado pelo Governo de Jatene. |
(Diário do Pará)
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