O Brasil deve registrar 57 mil novos casos este ano. A doença, que tem se tornado menos letal, será tema de Simpósio, em Belém. Serão discutidas novas técnicas de tratamento e a terapia alvo. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de mama é a segunda neoplasia que mais atinge o público feminino. As estimativas do Inca para este ano são de 57 mil novos casos, no Brasil.
Também de acordo com o instituto, é o segundo tipo de câncer mais frequente no mundo, respondendo por 22% das novas ocorrências, a cada ano, entre as mulheres. Conforme o órgão, as taxas de mortalidade por câncer de mama ainda são elevadas, muito provavelmente porque a doença, ainda, é diagnosticada em estágios avançados.
Mas, apesar do elevado número de casos, o mastologista Guilherme Novita, diretor da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e coordenador do Serviço de Mastologia do Hospital Paulistano, afirma que o câncer de mama tem se tornado menos letal. Segundo o mastologista, essa melhora no prognóstico é atribuída, principalmente, à detecção precoce e aos tratamentos mais eficazes. Ele ressalta que a principal forma de prevenção do câncer de mama é o diagnóstico precoce, através do exame da mamografia.
“O autoexame, ou exame de toque, não substitui a mamografia e, aparentemente, não diminui a mortalidade. Enquanto a mamografia consegue detectar lesões de até 1 milímetro, o exame de palpação detecta apenas tumores com tamanho médio de 2 cm”, explica o médico, reforçando que a mamografia deve ser realizada, anualmente, por todas as mulheres a partir dos 40 anos.
Para falar mais sobre o assunto e o avanço das técnicas de tratamento para o câncer de mama, o médico Guilherme Novita estará em Belém no próximo sábado, 17, participando do 4º Simpósio de Avanço no Manejo do Câncer de Mama, que será realizado pelo Hospital HSM – Centro Avançado de Oncologia.
O especialista abordará os temas “Evolução do tratamento de câncer de mama” e “Manejo do climatério após o câncer de mama”.
Técnicas para o tratamento
Além do avanço dos exames de diagnóstico precoce, Guilherme Novita ressalta que existem muitas novidades no tratamento do câncer de mama. Trata-se da doença com maior investimento em pesquisas no mundo nos últimos anos. Dentre as principais novidades estão medicações que atacam somente as células tumorais, preservando as células saudáveis: a terapia alvo. Até então, o tratamento padrão (quimioterapia) ataca todas as células em duplicação, inclusive células normais, como as mucosas, cabelos e unhas.
As pesquisas mais promissoras, segundo Guilherme Novita, são as medicações que levam a quimioterapia para dentro das células tumorais, o que aumenta a efetividade do tratamento e diminui, consideravelmente, os efeitos colaterais. “Isto é um grande avanço em relação às medicações de quimioterapia, pois permite tratamentos mais eficientes e menos tóxicos”, avalia o especialista. Outro tratamento moderno é a imunoterapia, que "estimula" o sistema imunológico do paciente a combater o tumor.
Por fim, entre as novidades, Guilherme cita a avaliação genética do tumor, permitindo maior conhecimento de cada caso e selecionando quais os tratamentos mais adequados para cada paciente, evitando terapias desnecessárias.
Climatério - Muitas vezes o tratamento do câncer de mama causa diminuição da função dos ovários, causando sintomas semelhantes à mulheres que já chegaram à menopausa, tais como "ondas de calor" e atrofia genital. “Infelizmente, o tratamento mais eficiente (a terapia hormonal da menopausa) pode aumentar o risco de recidivas do câncer de mama”, ressalta o mastologista.
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