Sufoco. É o que a população tem passado nas agências bancárias para tentar realizar depósitos e pagamentos de contas, desde que se iniciou a greve dos bancários, último dia 5. Em uma agência na avenida Pedro Miranda, no bairro da Pedreira, em Belém, os clientes reclamavam que não havia papel para depósito e que o único caixa eletrônico que estava funcionando frequentemente apresentava defeito. “Estou há 3 dias vindo aqui tentar depositar dinheiro e não tem envelope. O pior é que o único caixa que aceita depósito, nesses 3 dias deu defeito”, diz a estudante Ananda Froes, 21.
A aposentada Aurora Gaiate, 58, reclama que tem tido problemas com o sistema do caixa eletrônico, pois nem sempre a máquina consegue ler o código de barras. Ela decidiu depositar o dinheiro em outra conta corrente para conseguir quitar a dívida. Porém, havia uma grande fila na única máquina em funcionamento. “Quero fazer esse depósito e não consigo. Tenho de ficar aqui esperando”, reclama.
SINDICATO
Representantes do Sindicato dos Bancários permaneciam na porta da agência para acompanhar o andamento da greve. O eletricista Joaquim Lopes, 50, saiu da agência revoltado porque, desde o início deste mês, ele não consegue receber o benefício do acidente de trabalho. “Aí, eles só deixam entrar quem eles conhecem. Venho aqui e nunca me atendem. Como vou fazer para receber?”, questiona Lopes.
Em outra agência, também na Pedro Miranda, a movimentação, na manhã de ontem, estava tranquila. Um representante do sindicato foi questionado por um cliente quando terminaria a greve e o motivo dele estar na entrada da agência. “A gente está aqui para que ninguém ‘pule’ a greve. Estamos fiscalizando. Não tem previsão de término”, diz.
Ainda na Pedro Miranda, em uma agência de banco público, dos 10 caixas eletrônicos, 2 estavam desligados. O aposentado Nonato da Cruz, 73, precisava pagar “na boca do caixa” os juros de uma compra. Preocupado com o aumento do valor, pediu para chamar um funcionário, que informou a impossibilidade de receber o pagamento. “Eles me prometeram que devido a greve eu não pagaria juros. Só vou conseguir pagar quando acabar a greve”, diz.
(Renata Paes/Diário do Pará)
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