Com o lado direito do corpo parcialmente paralisado e após suspeitar de um princípio de Acidente Vascular Cerebral (AVC), o ajudante de pedreiro João Rodrigues, 53 anos, foi transferido do Pronto-Socorro de Marituba, onde recebeu o primeiro atendimento, para o Pronto-Socorro Municipal do Guamá, no fim da manhã de ontem. Lá, os médicos bateram um raio X da cabeça do paciente e informaram à família que ele estava bem e poderia retornar para casa.
Ozete Luzia dos Santos, 63 anos, cunhada de João, se sentia frustrada por ter que voltar com ele sem poder mexer os dedos do braço e a perna, com dificuldade na fala e baixa visão. “Onde que uma pessoa dessas está bem? Ele está escorado aqui nessa parede, não consegue enxergar bem”, afirmou.
A cunhada conta que precisou procurar a assistente social do PSM para que providenciasse uma ambulância para levá-los a Marituba. Caso contrário, teria que desembolsar, no mínimo, R$ 100 de taxi. “Eu não tenho esse dinheiro’’, disse.
Eles aguardaram em pé, do lado de fora do pronto-socorro, desde as 15h, pela ambulância. O calor era insuportável. A esposa de João, Delsilene Alves, 47 anos, se abanava com um jornal. “Eu prefiro ficar mil vezes aqui fora e em pé do que lá dentro naquele inferno. Aqui pelo menos bate vento, lá nem isso”, enfatiza. Uma hora e meia depois, a ambulância ainda não tinha aparecido. João só queria retornar o quanto antes para Marituba. Mesmo com os movimentos debilitados, preferia tentar se cuidar em casa, perto da família. “Esse hospital foi a maior decepção que eu já vi. É a primeira vez que venho para cá. Fiquei alegre de não ter sido internado. O cheiro lá dentro é horrível. Só remédio. As pessoas ficam nos corredores. Eu não quero isso para mim”, diz.
CHOQUE
A cunhada, acostumada a acompanhar as notícias das condições precárias de atendimento no PSM pela televisão e jornais impressos, ficou chocada com o que viu. “Isso aqui é horrível. Os corredores estão lotados. É gente indo e vindo de um lado para o outro. Deus me livre de um dia precisar daqui. O prefeito, com certeza, não vem aqui para ver isso”, diz ela.
(Renata Paes/Diário do Pará)
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