O governador Simão Jatene está se comportando “de forma lamentável”, em relação ao episódio do naufrágio ocorrido em Barcarena e que causou a morte de quase 5 mil bois, há cerca de duas semanas. Essa é a opinião de diversos deputados paraenses. O líder do PMDB na Assembleia Legislativa (AL), Iran Lima, chegou a ser irônico em seu pronunciamento. “Barcarena faz parte do Estado, governador”, declarou, em tom de recado. Segundo o deputado, Jatene, como gestor do Estado, tem de olhar para a população afetada pelas consequências do naufrágio e assumir a responsabilidade, até que se chegue a um consenso com os órgãos e as empresas responsáveis. “O governador não pode só ficar tentando jogar a culpa em A, B ou C. Na pior das hipóteses, ele precisa ao menos se solidarizar com as famílias. Mas ele ainda nem apareceu em Barcarena”, afirmou.
Ações de Helder Barbalho para Vila do Conde
Iran lembrou, ainda, que o silêncio e o sumiço de Jatene também foram notados na greve dos educadores, este ano, e a dos policiais militares, no ano passado. Em ambas as situações, o governador fez o que sabe fazer de melhor em momentos de crise: desapareceu. Há, também, outro importante ponto destacado pelo deputado.
“Para que licenças de operações de transporte desse tipo sejam concedidas, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) deve ter um plano de contingência bem estruturado para o caso de algo dar errado. Isso também é obrigação do governador”.
Para o petista Carlos Bordalo, a postura inicial do Governo do Estado foi muito agressiva no sentido de tentar punir prováveis culpados, o que deu início ao que ele chamou de “tiroteio político”. “Entraram politizando o problema, quando, na verdade, a situação exige integração da parte de todos, inclusive do Governo Federal e da Companhia das Docas do Pará (CDP), cuja não-responsabilidade pelo adernamento já está quase comprovada”, destacou Bordalo. “Já está praticamente confirmado que ocorreu uma imperícia da própria tripulação”.
Para Bordalo, só agora as providências estão sendo bem conduzidas, como a retirada dos bois que estavam mortos na beira da praia - foram recolhidos e enterrados -, o fornecimento de cestas básicas e também da garantia do pagamento de salários mínimos às famílias, auxílios conseguidos graças à ação do ministro dos Portos, Helder Barbalho, e da Companhia Docas do Pará (CDP). “Já teve até jornal querendo culpar o ministro Helder por essa tragédia. Isso é ridículo. Quando houve o acidente, ele havia acabado de assumir a pasta”, diz Bordalo.
AUSÊNCIA
Segundo ele, o naufrágio do navio carregado de bois foi uma fatalidade que jamais pode ser atribuída à CDP, que está agindo para resolver o problema em conjunto com outros órgãos. Ele destacou, ainda, que o próprio ministro Helder Barbalho já visitou Barcarena para ver a situação pessoalmente e esteve em Belém para debater o assunto e adotar medidas para resolver o problema. O deputado José Scaff Filho (PMDB) fez questão de destacar que o povo está sentindo falta da presença do governador à frente da discussão das medidas. “Mas isso não é surpresa para ninguém. Em todas as questões de grande relevância para o Estado, o governador sempre é ausente”, ressaltou Scaff Filho.
O deputado Lélio Costa, único representante do PC do B no parlamento estadual, também critica a postura de Simão Jatene. Para ele, a atitude do governador demonstra grande insensibilidade. “Espero que o Estado não fique com ‘picuinha’ política. O governador precisa assumir o seu papel”, afirmou. “O acidente ocorreu há duas semanas e o governador sequer fez uma visita ao local? Isso é muito ruim. É uma postura inerte”.
(Diário do Pará)
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