Familiares de José Teixeira, 82 anos, internado há 2 meses no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), localizado na rodovia BR-316, denunciam que o quadro de saúde do idoso se agravou por causa do descaso no atendimento do paciente, que deu entrada no hospital no dia 22 de agosto deste ano, após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC). José estava em sua casa, no município de Benevides, na Região Metropolitana de Belém, quando passou mal, por volta das 16h daquele mesmo dia. De acordo com a filha dele, a autônoma Maria Teixeira, 59, apesar da idade avançada, o idoso sempre foi bastante ativo e saudável. Cerca de 6 horas depois, José foi encontrado por um de seus netos caído no chão, mas ainda consciente. Maria imediatamente colocou o pai dentro de seu carro e o levou para o Hospital Divina Providência, em Marituba. O idoso não tem plano de saúde, então a filha pagou uma consulta particular naquele hospital, porém suspeitaram que ele havia sofrido alguma fratura e o encaminharam para o HMUE. Lá o idoso foi para a emergência e, no dia seguinte, foi conduzido para a enfermaria, onde sofreu uma parada cardíaca. Em seguida, ele retornou para a emergência e foi transferido para o Hospital de Clínicas. No entanto, segundo a dona de casa Nailene Azevedo, 27, neta de José, mesmo cadastrado na Central de Leitos, o hospital não aceitou o paciente lá, pois não havia leito de UTI. O paciente teve de retornar para o Metropolitano, onde ficou em uma sala de UTI por cerca de 10 dias. Depois de apresentar uma melhora, foi encaminhado para a enfermaria, onde permaneceu por 21 dias. Lá, o idoso acabou contraindo uma pneumonia, os rins pararam e ele precisou ser submetido a diálise. Agora, segundo Nailene, os médicos afirmam que o paciente já não pode mais ser transferido, pois o estado de saúde é grave. Na última terça-feira, a família presenciou uma situação ainda pior. O idoso foi encontrado com ferimentos no rosto, um deles na área da boca, de onde estavam saindo larvas. “Eles tiraram muitas larvas ontem (anteontem) e hoje (ontem) dele. A sala da UTI fica com a porta aberta e o tempo todo entram moscas e mosquitos. Provavelmente, uma mosca sentou no ferimento dele”, diz a neta. No dia 20 de setembro, Nailene deu entrada no Ministério Público do Estado para denunciar a situação do avô naquele hospital, além de pedir um leito para que ele recebesse tratamento adequado em outro hospital. Porém, como seu estado clínico foi agravado, a família agora exige que o HMUE tome as providências para salvar a vida do idoso. “Teve médico que disse que é normal aparecer ferimentos, mas ele está assim por conta do tubo que colocaram na boca dele e do aparelho de barbear que usaram nele”, relata Nailene. RESPOSTA Em nota, o Metropolitano disse que, na UTI, disponibiliza uma equipe qualificada para que proporcione os cuidados necessários aos pacientes. “A direção do hospital instaurou processo administrativo interno, em regime de urgência, para apuração dos fatos.” (Pryscila Soares/Diário do Pará) |
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