Dez dias após ser escolhida para representar crianças que lutam contra o câncer durante o ato simbólico de entrega do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, Gabriela Lima, 11, que sofria de leucemia, morreu ontem. “Se o Hospital Octávio Lobo estivesse funcionando, talvez a minha filha não tivesse morrido”, lamentou a mãe da menina, a monitora escolar Josiane Lima, 34.
O Octávio Lobo, anexo ao Hospital Ophir Loyola (HOL) e que tem uma Unidade de Terapia Inteniva (UTI) pediátrica, foi inaugurado no último Dia das Crianças (12), pelo governador Simão Jatene, mesmo sem estar concluído. A revolta da família também é pelo fato de o governador ter utilizado a imagem da criança para inaugurar um hospital que ainda não está recebendo os pacientes. “Deram uma falsa expectativa de que as crianças teriam atendimento imediato ali. Estamos achando que a imagem da Gabi foi usada para fins políticos”, afirma Raul Guedes, 36, primo de Gabriela.
A mãe da garota acredita que a espera por um leito na UTI do Hospital Ophir Loyola, foi determinante para o agravamento do seu estado de saúde. Josiane disse que a batalha da filha começou em meados de março deste ano. Ela passou por diversos hospitais. Ao que tudo indicava, estava com uma inflamação na garganta, apresentando ainda fraqueza e febre.
A confirmação do diagnóstico só veio no dia 11 de abril, depois que a menina foi submetida a um exame solicitado por uma médica oncologista do Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza. Gabriela fez quimioterapia durante 6 meses no HOL. A última sessão foi na quinta-feira (15). Josiane contou que a filha estava bem. Porém, na madrugada do último domingo, teve febre de 40 graus e tontura.
EMERGÊNCIA
Diante do quadro, os pais retornaram com a filha para o HOL. Chegando ao local, eles foram informados de que não havia leito, nem na UTI nem na enfermaria. A mãe da garota disse que ela ficou de domingo até a tarde de segunda-feira na emergência do hospital, aguardando por um leito de UTI. A família ressaltou que o trabalho dos profissionais de saúde que cuidaram de Gabriela ficou limitado em virtude da falta de leito. Gabriela foi, finalmente, transferida para um leito de UTI -na ala adulta -, na noite da última segunda-feira.
Porém, a família diz que o estado de saúde da menina já era muito grave. “A gente sabe que é uma doença muito séria e que isso poderia acontecer. Mas o estado dela piorou muito de domingo para segunda, por causa da espera”, relatou Raul. Gabriela morreu na madrugada de ontem , De acordo com a família, no boletim de óbito consta falência múltipla de órgãos como causa.
RESPOSTA
O Ophir Loyola afirma que Gabriela foi recebida pelo hospital, no fim de semana, apresentando “evolução de sua patologia com neutropenia febril e infecção generalizada”. Disse que uma equipe multidisciplinar foi direcionada para atendê-la imediatamente, seguindo para internação no Centro de Terapia Intensiva. Sobre o Hospital Infantil Octavio Lobo, a previsão é que o atendimento seja iniciado em meados de novembro.
(Pryscila Soares/Diário do Pará)
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