É no pátio da Escola Estadual Clube de Mães Sagrada Família, na rodovia Arthur Bernardes, bairro da Pratinha, que alunos de duas turmas do ensino fundamental assistem às aulas. A sala improvisada não tem quadro magnético e o barulho dos veículos que passam na agitada rodovia dispersam os estudantes. Os professores tentam ensinar da melhor maneira que podem, mas afirmam que esta situação compromete o aprendizado das crianças.
A escola tem apenas 5 salas para atender a 441 estudantes do ensino fundamental, do 1° ao 5° ano e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), nos turnos da manhã, tarde e noite. Duas salas estão inutilizadas. Uma por falta de energia elétrica e a outra por causa de uma parede rachada, que se movimenta ao ser tocada.
Segundo os professores, engenheiros da Secretaria de Educação do Estado (Seduc) verificaram a parede e afirmaram não haver riscos de desabar. Porém, os funcionários preferiram poupar as crianças de uma tragédia e remanejaram as aulas para o pátio, até a escola passar por reformas.
As salas de aula restantes também são precárias. Mesmo com janelas e ventiladores, o calor é insuportável e o ambiente é abafado. “Quando eu venho buscar meu filho aqui ele vem suado. A escola não tem condições de fazer nada. É o Estado que tem de fazer”, afirma a dona de casa, Michelle de Nazaré, 30 anos.
QUADRO
Em uma das salas, o quadro magnético é sustentado por dois bancos. Na outra, o forro está repleto de furos. Quando chove, os alunos são dispensados por causa das goteiras. “A gente tenta acomodar os alunos quando está chovendo, mas não dá. É triste para eles. É triste para a gente”, destaca uma professora, que pediu para não ser identificada.
As aulas de educação física são feitas em uma área também deteriorada. O piso é cheio de cacos de telha. Os riscos de caírem e se ferirem são grandes. Ao redor do espaço ainda há freezeres e armários abandonados, além das bicicletas dos próprios alunos. “Muitos pais já tiraram os filhos daqui por falta de condições estruturais”, ressalta uma educadora. A escola recebe 31 alunos com deficiências múltiplas, como baixa visão. Por não haver salas disponíveis para atendê-los, o computador e a impressora em braile doados pelo Ministério da Educação (MEC) estão encaixotadas.
Outro problema apontado por uma mãe de aluno é a falta de professores. Segundo Renata do Rosário, 30 anos, o seu filho já chegou a ficar mais de duas semanas sem aula por não ter educador. Os professores confirmam a situação e explicam que quando os contratos com a Seduc terminam, demoram a ser renovados. “Os professores são temporários. Em agosto ficamos mais de um mês sem professor do 1° ano”, diz.
(Diário do Pará)
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