Para quem está endividado e com o orçamento já comprometido, é preciso um momento para reorganizar a vida financeira e, assim, ter a oportunidade de iniciar o novo ano com o pé direito. Isto é possível, desde que a pessoa esteja disposta a seguir as dicas listadas por quem entende do assunto (veja box ao lado). De acordo com pesquisa divulgada pela Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade, em 2015, 74% dos brasileiros pretendem utilizar o 13º salário para pagar dívidas já contraídas, em virtude da inflação elevada e do aumento das taxas de juros.
O número representa crescimento em relação ao ano passado, quando 68% desejavam usar os recursos para quitar débitos. A maior parte das dívidas (44%) é no cartão de crédito. Em seguida estão cheque especial (39%) e financiamento bancário em atraso (7%).
A pesquisa foi realizada com 1.037 consumidores de todas as classes sociais. Para os especialistas, quando o foco é se livrar das dívidas, a primeira medida a ser adotada é fazer o diagnóstico da vida financeira. O trabalhador deve colocar na ponta do lápis tudo o que ele e a família gastam diariamente em um período de 30 dias. Feito isso, a família deve verificar com o que se gasta mais, seja um cinema, jantares fora, e a partir daí organizar o orçamento evitando gastos e desperdícios desnecessários.
TUDO NO PAPEL
De acordo com a economista e especialista em educação financeira da DSOP Educação Financeira – filial Belém, Patrícia Godoy, se a pessoa está endividada e deseja quitar todos esses pagamentos pendentes, entre outras coisas, ela precisa saber quanto recebe e quanto deve. Se o nome estiver negativado junto ao SPC/Serasa, ela precisará saber o que vai pagar para ir até o credor e tentar renegociar a dívida.
Medidas de ajustes valem para o resto da vida
A economista Patrícia Godoy garante que é sempre vantajoso procurar renegociar a dívida, já que se tem a possibilidade de parcelar e diminuir o juros. Ela lembra que pagamentos fixos tendem a apertar o orçamentro todo o início de ano, como IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), além da matrícula e material escolar dos filhos.
São motivos a mais para que o trabalhador se eduque financeiramente, organizando o orçamento pessoal ou familiar. “Posso reservar meu 13° para esses pagamentos de início de ano e para a escola das crianças. Se estou endividado e o que ganho não dá para quitar, posso pegar meu 13º e juntar com uma restituição do Imposto de Renda ou até o pagamento de férias para eliminar as dívidas”, ressalta Patrícia.
No entanto, a economista diz que esse controle das finanças não deve se restringir a este momento em que a pessoa se encontra no “sufoco”. Ele deve fazer parte da vida de qualquer pessoa que queria ser próspera. “A partir do momento que me proponho, tenho que visualizar o futuro consciente da educação financeira e do meu comportamento em relação ao dinheiro”, pondera.
(Pryscila Soares/ Diário do Pará)
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