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"Não estamos preocupados com a morte de bandidos"

Apenas em 2015, 19 Policiais Militares foram assassinados no Pará. Outros oitos foram baleados, sendo que um ficou tetraplégico. Esse é o cenário de insegurança no Estado por aqueles que trabalham fazendo a segurança da população. Na tarde desta terça-fei

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Apenas em 2015, 19 Policiais Militares foram assassinados no Pará. Outros oitos foram baleados, sendo que um ficou tetraplégico. Esse é o cenário de insegurança no Estado por aqueles que trabalham fazendo a segurança da população. Na tarde desta terça-feira (27), a Associação de Cabos e Soldados da Polícia e Bombeiros Militar do Pará criticou, em entrevista ao DOL, a falta de ações do Governo do Estado do Pará para mudar essa triste realidade.

O assunto voltou a ser comentado após a morte do soldado da Polícia Militar Pedroso, baleado na noite deste domingo (25), na travessa Apinagés, no bairro da Cremação, em Belém. Na noite de segunda-feira (26), Tomaz Nogueira Junior, vulgo "Pocotó", foi morto a tiros dentro do apartamento de um hospital particular localizado na rua Domingos Marreiros com a travessa Castelo Branco, em Belém. Ele é suspeito de matar o PM.

“Só este ano já foram 19 PMs mortos e o Governo não se manifesta. Além de que eles não dão assistência às famílias. Todos os dias recebemos pedido de ajuda de familiares de policiais mortos, que estão sem nenhum auxílio. Mas se um bandido morrer, aí sim eles se manifestam. Precisamos de ações para nosso efetivo. De projetos que beneficiasse a categoria, como por exemplo um projeto para construção de casas, para que os policiais pudessem sair do meio da bandidagem, pois hoje eles prendem um traficante, mas amanhã ele é solto e mora próximo da casa do PM”, critica o cabo Manoel Campelo, vice presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia e Bombeiros Militar do Pará.

A falta de apoio dos políticos também foi criticada. “Também não estamos recebendo o apoio dos deputados militares que foram eleitos pelo próprio efetivo. Eles têm entradas no Governo e poderiam se unir para mostrar projetos. Mas não, o máximo que chegou é um projeto para o PM financiar um carro. Precisamos que esses deputados estejam mais perto, para representar também a categoria”, completa Campelo.

Ele garante que o efetivo do Pará é insuficiente para garantir a segurança. “Hoje temos cerca de 16 mil efetivos trabalhando, sendo que temos que levar em consideração que todos os meses temos os que tiram férias, licenças ou estão doentes, então esse número diminui. Precisaríamos de pelo menos 31 mil policiais militares no Pará. Nossa tropa está diminuindo cada vez mais, pois muitos já estão se aposentando”.

A inversão de valores também foi citada durante entrevista ao DOL. “Os valores estão sendo invertidos. Muitos aplaudem os bandidos, mas quando um policial mata ele é criticado. Queremos leis mais rígidas, pois não sabemos se os eleitos representam a sociedade do bem ou do mal. Os de bens estão trancados cada vez mais dentro de casa, para os bandidos estarem soltos”, detalha o diretor de interior da Associação de Cabos e Soldados da Polícia e Bombeiros Militar do Pará, Marcos Almeida.

Ele finaliza criticando que o “crime está mais organizado do que a segurança pública no estado do Pará”.

O DOL entrou em contato com a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) e aguarda retorno.

(DOL)

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