Apenas no último final de semana foram registrados 64 assassinatos. O quadro de violência do Pará, que já é caótico, se agravou na última segunda-feira, com a execução, dentro de um hospital particular de Belém, de Jaime Tomaz Nogueira Júnior, 30 anos, suspeito da morte do soldado da Polícia Militar, Vitor Pedroso. Para uma parte dos deputados estaduais, o Pará sucumbiu a uma crise de comando e segue em clima de guerra civil.
Na manhã de ontem, durante sessão na Assembleia Legislativa do Pará (AL), os deputados da oposição ao Governo do Estado continuaram a cobrar ações efetivas por parte do governador Simão Jatene (PSDB) em prol da diminuição da violência. Os parlamentares da base aliada, porém, agiram como se nada de grave estivesse acontecendo.
Por uma trágica coincidência, o PM Vitor Pedroso foi morto próximo do ‘aniversário’ de um ano do assassinato do policial militar Antônio Marco da Silva Figueiredo, o ‘Cabo Pet’, ocorrido no dia 4 de novembro de 2014, no bairro da Terra Firme. Este crime deu início a uma série de assassinatos (10 pessoas), entre os dias 4 e 5 de novembro do ano passado. “Este Estado virou palco de guerra novamente”, lamentou o petista Carlos Bordalo. “Está bem claro que todo mundo comanda este Estado, menos o Jatene”, avaliou o líder do PMDB, Iran Lima.
Para o deputado Lélio Costa (PCdoB), a postura do governador Jatene demonstra insensibilidade. “Parece que é normal morrerem quase 70 pessoas em 3 dias, ou um custodiado do Estado ser executado dentro de um hospital”, criticou. Bordalo reforçou que a execução do suspeito da morte do policial mostra o quanto o Estado está sem autoridade. “Mais grave que milicianos se apoderando da decisão de quem deve viver e morrer é isso ocorrer dentro de uma unidade de saúde”, afirmou.
CPI
Participante de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) concluída em janeiro deste ano e cuja conclusão indicou a atuação de grupos de extermínio no Estado, o deputado sugeriu que uma investigação aprofundada do assassinato de segunda-feira poderia achar nomes citados nos crimes de novembro passado. “Fizemos audiências públicas, apresentamos requerimentos, sugerimos colaboração federal. Mas, parece que o governador Jatene está surdo, mudo. Ou não mora neste Estado”.
Para Iran Lima, não há como justificar o assassinato, referindo-se ao fato de que Jaime Nogueira estava na condição de preso e sob a custódia de 2 policiais militares e 1 agente prisional. “Quando o principal agente público (Jatene) se ausenta das principais decisões, as corporações vinculadas ao Estado não respeitam as determinações do governador”, apontou, lembrando que a administração estadual até hoje não deu respostas sobre os crimes de 4 e 5 de novembro.
Em sua página no Facebook, o deputado estadual Tércio Nogueira (PROS), que tem patente de soldado da PM, postou, em tom de desabafo, que “se toda semana perdemos um policial, vai chegar a hora em que não vamos poder sair de nossas casas”. Para ele, Jatene precisa dar uma resposta para acabar com a criminalidade.
(Carolina Menezes/Diário do pará)
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