Visto por quem trafega pela Passagem Mirandinha, no bairro do Telégrafo, nem de longe o espaço abandonado lembra o que seria uma quadra de esportes. Já sem o portão que deveria controlar o acesso de pessoas, o amplo terreno preenchido pelo mato alto só conserva em condições razoáveis uma placa de identificação: “Quadra de Esportes Zenaldo Coutinho”.
Levando o nome do atual chefe do poder executivo municipal, a quadra, que deveria ser cuidada e mantida pela Prefeitura de Belém, não oferece condições para a prática de qualquer atividade, ainda que não seja esportiva. Antes que se consiga chegar até a laje de concreto, é necessário enfrentar um caminho tomado pelo mato que, de tão alto, já é capaz de encobrir uma pessoa de estatura mediana. Acumulada às proximidades do muro, uma variada quantidade de lixo exala um odor tão forte que não permite que se permaneça mais do que alguns segundos sem elevar a mão ao nariz. Diante da intenção de se utilizar o espaço para o lazer - como ele foi planejado -, os riscos à segurança e à própria saúde se tornam evidentes.
Moradora do bairro há 5 anos, a aposentada Maria de Nazaré, 77 anos, desconhece que a quadra já tenha vivenciado outra condição que não a que ela enxerga hoje, pela janela da sua casa. Prejudicada, inclusive, com o cheiro forte carregado pelo vento do terreno da quadra, ela não se conforma com o total abandono de um espaço que seria de tão grande utilidade para a população. “Esse tempo todo que moro aqui, sempre vi esse lugar abandonado. Nem sei dizer se essa quadra chegou a funcionar um dia”, declarou.
AQUI JAZ!
Apesar de ter presenciado o período em que a quadra conseguia ser utilizada pela população do bairro, o estivador Reginaldo Silva, 42, já não consegue estimar há quanto tempo o local está esquecido. Hoje, encoberta pelo mato, a estrutura de ferro erguida do piso de concreto já abrigou a cobertura da quadra. Porém, com o completo abandono, as telhas acabaram saqueadas gradativamente. “A quadra funcionou, mas faz muito tempo. O pessoal usava pra jogar e pra fazer festas juninas aí. Era um espaço de lazer”, lembra Reginaldo.
Além dos riscos à saúde provocados pelo acúmulo de mato e lixo, outra ameaça preocupa os moradores da região. Completamente sem controle de acesso, o local já chegou a ser utilizado como esconderijo para assaltantes que abordam quem passa pela rua pouco movimentada. Uso muito distante do que poderia ser proporcionado à população de uma cidade que carece de espaços públicos para o lazer.
(Cintia Magno/Diário do Pará)
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