Após queda do muro do cemitério do Tapanã, em Belém, visitantes dizem que se sentem ainda mais inseguros. Mesmo com a proximidade do Dia de Finados, celebrado no próximo dia 2, os visitantes reclamam que a Agência Distrital de Icoaraci (Adic), que administra o espaço, pouco fez para melhorar as condições do cemitério.
Os visitantes temem pela segurança, já que não contam com a proteção do muro. A estudante Jéssica Fonseca, 23 anos, conta que sempre vai ao local com alguma companhia, pois teme ser vítima de alguma violência dentro do cemitério. “Não tenho coragem de entrar aqui sozinha. Só venho com meu marido ou quando está bem movimentado.”
Com um pincel em uma das mãos, a mãe da jovem, Maria Ineide, 39, diz que somente às vésperas do Dia de Finados é que é feito algum reparo, mas longe do ideal. “Nós é que fazemos toda a limpeza e temos o trabalho de capinar entre as covas, senão o mato toma conta.”
Pelo menos duas vezes ao ano, o aposentado Raimundo Nonato, de 56 anos, manda limpar a sepultura de sua sogra, mas não sente o mesmo empenho por parte da administração do cemitério. “O abandono dos nossos governantes é terrível. Cada um cuida de onde está seu ente. Só assim fica limpo.”
A dona de casa Maria dos Santos, 64, diz que também costuma fazer a limpeza próximo da sepultura onde o seu filho está enterrado. “O cemitério vive abandonado. Não é porque é público que o trabalho não deve ser feito”. A Prefeitura de Belém foi procurada, mas não se manifestou até o fechamento desta edição.
(Diário do Pará)
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