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Sofrimento no PSM do Guamá não tem fim

Da entrada do Hospital de Pronto-Socorro Municipal (HPSM) Humberto Maradei, no Guamá, a notícia recebida pela autônoma Helena Ferreira, 40 anos, foi como um soco no estômago. Com a filha de 19 anos prestes a desmaiar em seus braços, ela soube que não pode

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Da entrada do Hospital de Pronto-Socorro Municipal (HPSM) Humberto Maradei, no Guamá, a notícia recebida pela autônoma Helena Ferreira, 40 anos, foi como um soco no estômago. Com a filha de 19 anos prestes a desmaiar em seus braços, ela soube que não poderia receber o atendimento. “Não tinha médico, não tinha leito e ainda ouvimos do enfermeiro: ‘Não podemos fazer nada’”, conta.

Os instantes de desespero que tomaram conta de Helena, logo após a notícia, foram vivenciados por volta de 13h da última segunda-feira (26). Informada de que, para receber o atendimento adequado, teria de esperar a chegada do médico, às 17h, a autônoma não hesitou em procurar atendimento em outro local. Com o PSM da 14 de Março interditado desde o incêndio em junho deste ano, a solução encontrada foi a de pagar. “Eu nem estava com dinheiro. Tive de pedir emprestado para poder pagar a consulta da minha filha.”

Já no hospital particular, a jovem, que sentia complicações por ter tomado remédio sem orientação médica, sofreu uma parada cardíaca. Depois, com a filha já restabelecida, Helena pensou no que poderia ter acontecido caso tivesse permanecido no PSM do Guamá. “Esses governantes não sabem como é estar com um filho nos braços, passando mal, mendigar atendimento e não conseguir. Se eu não tivesse levado a minha filha ao particular, ela teria morrido lá no PSM”, desabafou.

Para que a filha fosse consultada e passasse pelos procedimentos necessários, a família desembolsou cerca de R$ 400. “E como ficam as pessoas que não têm como pagar? Fica todo mundo jogado lá, em macas no corredor, esperando atendimento. É impossível entender uma coisa dessas”, reclama.

Pacientes mal conseguem descansar no pronto-socorro

A situação enfrentada pelos pacientes do PSM da 14 continua longe da ideal e é registrada em todos os dias da semana. Durante a manhã de ontem, as histórias de atendimento precário se multiplicavam na entrada do hospital, desta vez em decorrência da superlotação, outra constante.

Logo na porta de entrada, era possível ver o corredor onde, em macas ou cadeiras, pacientes esperavam, tentavam dormir e até mesmo eram medicados. Por volta das 9h de ontem, a poucos metros da porta da rua, uma paciente era vista tentando descansar. A maca em que estava precisava ser contornada por todos que entravam apressados.

Vindo de Colares, com o filho Ronildo de Oliveira, 17 anos, o autônomo Rosivam Favacho de Oliveira, 42 anos, aguardava sentado do lado de fora desde as 22h do dia anterior. O filho dependia de um leito para tratar a anemia profunda. “Ele passou a noite toda sentado numa cadeira no corredor esperando leito, porque não tem.”

Visivelmente cansado pela espera sem qualquer conforto, o pai do paciente já não se surpreende mais com as condições vivenciadas porta adentro do PSM. “Eu já imaginava que ia estar assim, porque é assim sempre”, declarou.

(Cintia Magno/Diário do Pará)

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