O Senado e a Câmara dos Deputados aprovaram em setembro deste ano a Medida Provisória nº 681/2015, que eleva de 30% para 35% o limite máximo de endividamento com empréstimos consignados. Além disso, deve entrar em vigor nos próximos dias um novo reajuste na taxa de juros para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) que utilizam esta modalidade de crédito.
A medida foi anunciada na última quinta-feira pelo Conselho Nacional de Previdência Nacional, que elevou as contratações de crédito pessoal consignado de 2,14% para 2,34%. Vale ressaltar que as parcelas são descontadas diretamente do benefício pago aos aposentados e pensionistas do INSS.
CUIDADOS NO BOLSO
A ampliação do limite de crédito em 5% será destinado apenas ao pagamento da fatura do cartão de crédito. Mas, para o presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Reinaldo Domingos, a utilização deste tipo de crédito deve ser pontual: apenas em casos de extrema necessidade, uma vez que representa a diminuição mensal de 35% da aposentadoria.
Reinaldo explica que o aposentado que já não consegue manter o padrão de vida recebendo o benefício integral terá ainda mais dificuldade em mantê-lo contando apenas com 65% do valor total de sua aposentadoria. Por esse motivo, o educador financeiro acredita que novas contratações de consignado devem aumentar ainda mais a inadimplência entre os aposentados. Domingos lembra que o aposentado pelo INSS já possui um benefício achatado, pois dos 29 milhões de beneficiários espalhados pelo Brasil, 7,5 milhões estão inadimplentes. Ou seja, não conseguem quitar suas dívidas. Além disso, 46% dependem da ajuda de terceiros para sobreviver, 28% vivem de caridade e 25% continuam trabalhando para manter o padrão de vida.
“Apenas 1% dos pensionistas são sustentáveis, têm uma vida com qualidade. Estamos com um problema crônico e não temos outra opção a não ser fazer a reeducação financeira”, pondera Domingos. De acordo com o educador, para não ter de recorrer aos empréstimos consignados e acabar se envolvendo em uma bola de neve de dívidas, é preciso que os aposentados busquem reorganizar as suas vidas financeiras.
Ele aconselha: antes de optar por um empréstimo, o aposentado deve fazer um diagnóstico das suas finanças. Ou seja: precisará ter em mente o quanto recebe e o quanto deve. Fazendo isso por 30 dias, a pessoa terá a possibilidade de se planejar. Outra dica é utilizar o pagamento do 13º como saída para resolver a emergência no fim de ano.
“Aquele que já não tem atividade financeira precisa reduzir seus gastos e pode, ainda, pegar 10% do benefício mensal para poupar. Assim fará alguma reserva financeira”, orienta Domingos.
COMO SE PRECAVER
- Antes de tomar qualquer crédito é importante conhecer a sua real situação financeira. Ponha no papel quanto você tem e quanto você gasta.
- Ter em mente quanto se ganha e quanto se gasta é crucial para saber onde os gastos podem ser reduzidos;
- Reorganize as finanças: anote tudo o que gasta diariamente por 30 dias, fazendo assim um diagnóstico;
- Antes de buscar pelo crédito consignado, é importante tomar consciência de que o custo de vida deverá ser reduzido. Isto porque a prestação reduzirá o seu ganho mensal diretamente de seu benefício de aposentadoria;
- É muito comum a utilização do crédito consignado para quitação de cheque especial, cartão de crédito e financeiras. Porém, a troca simplesmente de um credor por outro, sem descobrir a causa do verdadeiro problema, apenas alimentará o ciclo do endividamento;
- A linha de crédito consignado, sem dúvida, se bem utilizada, é importante. Porém, não pode fazer parte da rotina de um assalariado ou aposentado. Sua utilização deve ser pontual;
- Uma opção que pode servir de saída para uma emergência é a utilização do pagamento do 13º. Mas isso também deve ser pontual;
- Tem sido comum o empréstimo do nome a terceiros, por parte de aposentados e até mesmo funcionários. Atenção: esse procedimento é prejudicial a todos;
- Caso encontre taxas de juros mais baixas, é válido fazer portabilidade desse crédito. Para os funcionários, o caminho será falar com a área de recursos humanos. Para os aposentados, as possibilidades são inúmeras, é preciso pesquisar;
- Para quem quer tomar o crédito consignado, recomenda-se, antes mesmo de assinar o contrato com a instituição financeira, que se faça uma boa reflexão e analise se este valor que será descontado diretamente do benefício não fará falta para os compromissos essenciais mensais;
- Leve em consideração a elevação da taxa de juros para dívidas em cartão de crédito;
- Tente guardar 10% do seu benefício: com isso poderá fazer uma reserva financeira.
(Pryscila Soares/Diário do Pará)
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