Apesar do anúncio de reajuste do preço dos combustíveis na nova tabela do PMPF (Preço Médio Ponderado ao Consumidor Final), que entrou em vigor ontem, o que se via pela capital eram postos de gasolina com valores antigos e consumidores desavisados: até mesmo para quem trabalha no ramo, o reajuste ainda é surpresa, embora seja esperado.
Entre os Estados que sofrerão com o aumento, o Pará é um dos mais afetados no preço final para os consumidores, devido à alta cobrança do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) do Estado sobre combustíveis.. O Governo Jatene insiste em manter a terceira pior taxa do país. Só sobre a gasolina, o Pará cobra 27% de imposto a cada litro.
As alíquotas mais altas são praticadas em Minas Gerais (30%), Rio de Janeiro, Paraná e Goiás (29%). Amazonas, Roraima, Piauí e São Paulo possuem as mais baixas alíquotas de ICMS do Brasil: 24%. Com isso, o diesel e o etanol também devem sofrer o reajuste. No entanto, até ontem, o preço da gasolina nos postos do centro de Belém ainda seguia variando entre R$ 3,549 e R$ 3,599 para cada litro.
A nova mudança de preços do combustível foi anunciada no Diário Oficial da União no último dia 26. Estabelecido pelo Conselho Nacional de Política Fazendária, se refere ao reajuste da tabela do PMPF, que serve de parâmetro à cobrança de ICMS nos Estados, com base em pesquisa regular feita pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) nas bombas em todo o País. Na prática, o paraense pode pagar pelo litro do etanol
R$ 2,993, gasolina R$ 3,629 e pelo diesel R$ 3,175.
NO TANQUE
“Acredito que nos últimos dois meses tivemos cinco reajustes. O mais recente foi na última segunda (26). Não sabíamos de outro em menos de uma semana”, conta Thiago França, frentista em um posto no bairro da Pedreira. Com a experiência na profissão, possivelmente, para ele, a novidade não agradará os consumidores. “O movimento geralmente cai depois do reajuste. Os carros desaparecem”, afirma.
Às véspera do feriado de finados, era notável o movimento tímido nos postos. Quem parou e conversou com a reportagem ficou surpreso. “Perdi as contas de quantas vezes teve reajuste. Desse jeito fica muito difícil”, ressalta Luiz Otávio Matos, taxista, que trabalha há 2 anos na praça. O novo reajuste significa prejuízo. “Trabalhamos com tabela. Não podemos dar o aumento por conta própria”, lamenta. “Vemos aumento aqui, outro ali, sempre no que é essencial. Onde vamos parar?”, questiona a empresária Carolina Borges.
(Diário do Pará)
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