A chuva rápida que caiu sobre a capital paraense na tarde de ontem, por volta das 14h30, não intimidou quem se programou para visitar o cemitério de São Jorge, na Marambaia. Vendedores que atuam no local verificaram um público maior no período da manhã, embora o movimento tenha se mantido à tarde. Mas o que realmente chamou atenção dos visitantes foi o péssimo estado de conservação do espaço público e a falta de organização e de fiscalização mais reforçada.
A aposentada Benvinda Amaral, 64, veio do município de Abaetetuba, na região do Baixo Tocantins, para visitar o túmulo da mãe. Mas se sentia insegura e constrangida pelo lixo acumulado em cima das sepulturas. “A gente chega e reza, mas espera a vela acabar porque se não levam a vela, as flores, tudo”, reclamou.
Os vendedores que comercializam flores em frente ao cemitério reclamaram: o feriado este ano foi fraco. Ambulante, Leovaldo da Silva, 36, trabalha há 15 anos no local. Vendeu, no máximo, 200 ramos de flores até às 15h de ontem. Foram 100 unidades a menos que no ano passado. “É a crise. No Dia de Finados do ano passado vendemos praticamente todo nosso estoque pela manhã”.
Na tarde de ontem, a tranquilidade já reinava em um cemitério particular localizado na BR-316, em Marituba. Famílias aproveitaram a calmaria e prestaram homenagens. A família da recepcionista Ceane Nascimento, 38, se reuniu para visitar as sepulturas de um irmão e uma sobrinha. “A gente vem quase todos os fins de semana aqui. A dor da perda é muito ruim, mas lembrança que fica é sempre boa”.
(Pryscila Soares/Diário do Pará)
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