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Ato pediu punição para os culpados por chacina

“Do luto à luta. Chega de extermínio de jovens da periferia.” Essas eram duas das frases escritas nos cartazes carregados pelas pessoas que caminharam, da Praça Santuário até o Mercado de São Brás, na noite de ontem, com o objetivo de pedir justiça. Na pa

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“Do luto à luta. Chega de extermínio de jovens da periferia.” Essas eram duas das frases escritas nos cartazes carregados pelas pessoas que caminharam, da Praça Santuário até o Mercado de São Brás, na noite de ontem, com o objetivo de pedir justiça. Na passeata, as famílias lembravam da trágica noite do dia 4 de novembro de 2014, quando 10 pessoas foram executadas na chacina dos bairros da Terra firme, Guamá, Marco, Jurunas, Sideral e Tapanã. Os assassinatos ocorreram após a execução do policial militar Antônio Marcos Figueiredo, conhecido como cabo Pety.

Ao longo da passeata, os manifestantes fizeram duas paradas: a 1ª ocorreu em frente à Delegacia Geral. A 2ª, na Divisão de Homicídios, onde os manifestantes cobraram agilidade nas investigações. “Na verdade, não tivemos nenhuma resposta. Deram 90 dias para as investigações, depois mais 90 dias. Até que se completou 1 ano da tragédia”, disse Vanda Mendes, que sofre com a perda do seu irmão, Allison Valder, 37 anos. Ele tinha deficiência mental e foi uma das pessoas assassinadas na Terra Firme.

Emocionada, a dona de casa Maria das Graças afirma que, nestes 12 meses, lembra todos os dias do filho Jefferson Cabral, que foi executado aos 26 anos. “Ele nunca fez nada contra ninguém, apenas foi deixar a sua namorada na Terra Firme. Quando voltou, levou 3 tiros”, disse. A camisa da empresa onde Jefferson trabalhava é uma das recordações que mais a faz lembrar do filho. “Jefferson era uma pessoa querida e muito trabalhadora. Trabalhava desde os 10 anos. Ele só queria viver a vida e veio um e acabou com todos os seus sonhos”.

DIREITOS HUMANOS

Além de familiares, defensores dos direitos humanos participaram da caminhada. “Desejamos que haja justiça e que de fato a gente possa acabar com este grande mal que ecoa na cidade de Belém”, disse Alberto Pimentel, integrante da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH). Integrantes de movimentos de defesa dos negros se uniram à luta das famílias e também se manifestaram contra o preconceito. “Não é possível que a gente continue vendo a nossa população negra sendo massacrada a cada dia”, criticou Edson Catende, do Movimento Social Negro.

(Camila Barreto/Diário do Pará)

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