De um lado da travessa Berredos, no distrito de Icoaraci, os cerca de 1.100 alunos da Escola Estadual Jorge Lopes Raposo sofrem com a falta de estrutura do colégio. Do outro lado da via, o terreno sem uso, onde deveria ser construído a nova escola, mostra que o sonho desses alunos, de estudar em um local com boa infraestrutura, ainda está muito longe de ser realizado. Cansados dessa realidade, na manhã de ontem, os alunos, acompanhados de membros do Sindicado dos Trabalhadores em Educação do Pará (Sintepp), foram às ruas de Icoaraci protestar.
Eles exigem que o governador Simão Jatene construa, de forma imediata, a nova escola. “A sala é uma sauna, não tem ventilador. Não temos merenda. Não temos quadra de esportes. Não temos nada”, reclama o aluno do 2° ano do Ensino Médio, Geraldo Magela, 18 anos. Em 2016, ele pretende fazer vestibular para Medicina, mas acredita estar pouco preparado, já que não recebe as mínimas condições para estudar. “Não temos infraestrutura. Assistir aula no calor é insuportável”, diz Geraldo.
Segundo a professora de Artes, Rosilene Silva, a Escola Jorge Lopes Raposo foi criada após o desmembramento do Colégio Avertano Rocha, também em Icoaraci, há 12 anos. Em 2005, a Secretaria de Educação do Estado (Seduc) alugou o espaço para abrigar a escola temporariamente, até a construção de um novo prédio. Mas ficou na promessa. “Na época da Ana Júlia (ex-governadora), fomos à Seduc e tinha o dinheiro. Hoje, vamos até lá e dizem que não tem”, denuncia a professora. Segundo ela, no ano passado o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) liberou verba para a construção do prédio, mas nada foi feito.
COMISSÃO
O ato teve início na travessa Berredos e terminou na frente da sede do Ministério Público do Estado (MPE), na rua Manoel Barata, que foi parcialmente bloqueada pelos estudantes e teve o tráfego liberado após 20 minutos. Uma comissão entrou no órgão para protocolar um relatório apontando os problemas enfrentados pelos educadores e alunos da instituição. “Os estudantes não têm nem água gelada. As salas não têm estrutura. Vamos levar o caso à Justiça para ser resolvido”, apontou Maurilío Estumano, coordenador jurídico do Sintepp.
Em nota, a Seduc afirmou que o projeto executivo da escola está em fase de construção e que a reforma só pode começar após a conclusão do planejamento e do processo de licitação. A Seduc, no entanto, confirmou que a Escola Jorge Lopes Raposo foi contemplada com os recursos do BID, mas disse que “precisa concluir todos os trâmites legais para, só então, poder iniciar as obras”.
(Roberta Paraense/Diário do Pará)
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