Um mês após o trágico naufrágio que causou prejuízos ambientais e econômicos a Barcarena, o navio de bandeira libanesa “Haidar”, que estava atracado no Porto de Vila do Conde, ainda permanece submerso no mesmo local. Dentro ainda há cerca de 4 mil carcaças de bois. Já o processo para a retirada do óleo do interior da embarcação deve ser concluído em 15 dias. Durante este período já foram retirados cerca de 800 animais que boiaram do navio. De acordo com Parsifal Pontes, presidente da Companhia das Docas do Pará (CDP), a operação está sendo feita conforme prevê a legislação ambiental.
O prazo para a conclusão de todo o processo é de 4 meses, como já havia sido previsto pela empresa holandesa Mammoet Salvage, contratada pela CDP para fazer a retirada do óleo e dar destinação aos animais. Parsifal explica que a retirada da embarcação e dos bois que ainda restam no navio só começará depois que todo óleo for removido. Além disso, já está tudo preparado para que se faça a destinação dos animais. Em um terreno da CDP próximo à área do porto, as valas já estão abertas e forradas com mantas impermeabilizadas.
SUBSÍDIO
De acordo com Parsifal, o recurso para fazer o pagamento das famílias atingidas pela tragédia foi repassado há mais de 15 dias pelo Ministério dos Portos. Entretanto, o subsídio mensal ainda não começou a ser pago às famílias, porque a CDP ainda aguarda a listagem elaborada pelo Ministério Público Federal, onde constam as famílias que serão beneficiadas.
A CDP garante que já entregou às comunidades afetadas em Barcarena e Abaetetuba mais de 6 mil cestas básicas, além de cerca de duas mil máscaras e mais de três mil garrafões de água. A assistência a essas famílias também está sendo prestada por outros órgãos que fazem parte do comitê gestor de crise, como a própria CDP, o MPF, o MPE, a Defensoria Pública do Estado e a Defesa Civil do Estado.
LICITAÇÃO
Parsifal informou ainda que, na última sexta-feira, foi realizada uma licitação pela empresa seguradora do navio, sediada em Londres, na Inglaterra, que deve escolher a empresa que apresentará o plano de retirada do navio considerado mais viável. O resultado do processo deve ser conhecido a partir desta segunda-feira.
“O planejamento para a retirada dos bois de dentro do navio, elaborado por técnicos e engenheiros ambientais da CDP, foi entregue há 15 dias para a Semas e o Ibama, que ainda não deram um parecer”, diz Pontes.
RELEMBRE A TRAGÉDIA
- Atracado no Porto de Vila do Conde, em Barcarena, o navio Haidar afundou, na manhã de 6 de outubro, com 5 mil bois vivos que seriam transportados para a Venezuela.
- No mesmo dia, vazamento de óleo do navio se espalhou pela praia de Vila do Conde, causando danos ao ambiente e à rotina de comunidades.
- Na noite do domingo (11 de outubro), a barreira de contenção de óleo usada para conter o material despejado com o naufrágio do navio se rompeu.
- O mau cheiro do óleo derramado e odor dos bois mortos incomodou diversas comunidades da região.
- O ministro dos Portos, Helder Barbalho, anunciou que a Secretaria dos Portos daria a assistência de um salário mínimo mensal, água mineral e de cinco mil cestas básicas às famílias.
- O Conselho de Administração da Companhia Docas do Pará autorizou pagamento de um salário mínimo às famílias afetadas, listadas pelo MPF.
- O repasse do subsidio foi feito há mais de 15 dias pelo Ministério dos Portos. A CDP aguarda a listagem do MPF para fazer o pagamento às famílias atingidas.
- 4 mil carcaças de bois ainda restam dentro do navio.
- 4 meses é a previsão para a conclusão da retirada completa dos bois e do navio que afundou no porto.
(Pryscila Soares)
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