Sem qualquer perspectiva de quando as obras de macrodrenagem e urbanização da Avenida Bernardo Sayão ficarão prontas, o servidor público Cláudio Costa, 41 anos, vê da entrada de casa, na passagem Rui Barbosa, os transtornos se multiplicarem em decorrência da interdição daquela via, que é uma das principais do bairro do Guamá. Prejudicados principalmente com a mobilidade no local, os moradores ainda apontam que a obra, executada pela Prefeitura de Belém, é tocada com extrema lentidão.
Para que oferecesse condições para receber o tráfego desviado da Bernardo Sayão, a passagem onde Cláudio mora teve o trânsito modificado. Agora, por lá passam carros e até carretas que se deslocam vindas da direção do primeiro portão da Universidade Federal do Pará (UFPA). Mesmo com o aumento no fluxo, porém, o morador conta que a sinalização instalada no local é insuficiente. “Tem uma escola no meio do quarteirão, mas eles só colocaram uma lombada no início e outra quase no final da rua. É perigoso”.
População terá mais 20 dias de transtorno
Além das mudanças sofridas na própria rua, o servidor também aponta o transtorno que é vivenciado pela maioria dos moradores do entorno. Com a interdição do trecho da Avenida Bernardo Sayão que vai desde a Passagem Rui Barbosa até a Avenida José Bonifácio, as linhas de ônibus deixaram de circular no local. Para que os moradores consigam ter acesso aos coletivos que seguem para o centro da cidade, é necessário esperar bastante tempo pelos micro-ônibus, que pegam as pessoas no trecho da obra e levam para a parada que fica em frente ao primeiro portão da UFPA.
Impacto
“Não sabemos se houve estudo de impacto de vizinhança para essa obra e nem qual é a compensação que vão fazer para a comunidade, como manda a lei”, diz Cláudio Costa. Deixando claro que não é contra a obra na Av. Bernardo Sayão, o servidor público questiona a forma como ela vem sendo feita e, mais ainda, a demora no andamento dos trabalhos. “Não há previsão de conclusão, não tem nenhum cronograma na placa de identificação da obra. Os trabalhadores estão aí há um mês, e só fazem buracos. Nada além disso”, reclama.
Deslocamento ficou difícil e perigoso
Informados sobre o que está sendo feito no local por uma placa que, diferente do exigido pela lei, não identifica o valor da obra, a data de início e previsão de encerramento, a população ainda segue sem perspectiva de construção de algum espaço de esporte e lazer no entorno.
Moradora do perímetro que está interditado na Avenida Bernardo Sayão, a autônoma Raimunda Viana, 41 anos, ainda não sabe o que esperar da obra. Informada de que precisará se retirar da casa onde mora com o marido já há 15 anos, a família ainda vive o impasse da venda do imóvel. “Eles querem pagar um preço muito injusto para nós. Aqui em casa temos dois pontos comerciais de onde tiramos o nosso sustento, então não é apenas a nossa casa, mas a nossa fonte de renda também”. Sem que outro emprego seja mantido por ela e o marido, toda a renda da família é retirada do pequeno restaurante e do salão montados na entrada da casa de madeira. Elementos que não estariam sendo considerados no momento da indenização. Enquanto permanecem no local, até o deslocamento da família ficou condicionado às condições da rua. “A gente vai andando todo esse pedaço até chegar na parada. Mas à noite não dá pra andar porque é muito perigoso. A gente já até evita sair nesse horário”, conta.
Procurada pelo DIÁRIO, a Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) disse que, no início de agosto passado, a prefeitura retomou as obras de macrodrenagem da Bacia da Estrada Nova. O prazo para execução desta etapa, partindo da José Bonifácio até a rua Augusto Corrêa, é de 12 meses. No entanto, neste primeiro segmento, a interdição será de até 4 meses.
População terá mais 20 dias de transtorno
(Cintia Magno/Diário do Pará)
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