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Homem morre após ficar 6 dias à espera de UTI

Familiares e amigos de Rudson Carlos Rodrigues Ferreira, 27, estão sofrendo e revoltados. O rapaz não resistiu à espera por um leito na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e morreu. Rudson foi diagnosticado com insuficiência renal crônica aos 20 anos. Inte

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Familiares e amigos de Rudson Carlos Rodrigues Ferreira, 27, estão sofrendo e revoltados. O rapaz não resistiu à espera por um leito na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e morreu. Rudson foi diagnosticado com insuficiência renal crônica aos 20 anos. Internado na Unidade de Pronto Atendimento 24h de Icoaraci, o paciente ficou 6 dias sem fazer hemodiálise. Ele ainda foi diagnosticado com uma pneumonia. Por volta das 12h de domingo, a família foi informada que o paciente havia sofrido morte encefálica. Às 22h40, ele teve duas paradas cardíacas e morreu.

Em função da doença, Rudson recebia um benefício do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e fazia hemodiálise 3 vezes por semana em um hospital particular conveniado ao Sistema Único de Saúde (SUS), em Belém. Entretanto, há cerca de 4 meses, ele começou a apresentar um inchaço no rosto, em virtude de problema na tireoide. A família conta que, desde então, Rudson passou a sentir fraqueza e tinha dificuldades para se alimentar. O quadro de saúde foi se agravando e, no último dia 2, ele deu entrada na UPA de Icoaraci. O cadastro na Central de Leitos foi feito no mesmo dia, pois, diante de seu estado, ele precisava de um leito de UTI em um hospital que oferecesse o tratamento de hemodiálise pelo SUS.

A irmã de Rudson, Rafaela Pinto Rodrigues, 22, contou que a família procurou pela central, que é regulada pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), por diversas vezes, mas a resposta era sempre a mesma: eles precisavam aguardar porque não havia leito em nenhum hospital. “A Sesma só apareceu aqui depois que ele morreu. Só que não adiantava mais”, criticou.

Luta

Na esperança de salvar a vida do jovem, na última quinta-feira (5), a família chegou a procurar o Ministério Público do Estado (MPE) pedindo que a Sesma disponibilizasse um leito. Na noite do último sábado (7), a família fez ainda um protesto, bloqueando as duas pistas da avenida Augusto Montenegro, mas nada adiantou.

“Ontem (domingo) à tarde disseram que o PSM da 14 tinha leito, mas lá não tem hemodiálise. Nós fomos atrás e conseguimos mas, quando a ambulância chegou, ele teve duas paradas cardíacas e morreu”, conta a prima de Rudson, a dona de casa Adenilce Miranda, 30. A família considerou que Rudson foi vítima de negligência e afirma que processará a Prefeitura de Belém. A Sesma foi procurada, mas não se manifestou até o fechamento desta edição.

Negligência da Prefeitura

Diretora da Associação dos Renais Crônicos do Pará, Belina Soares ressaltou que a Prefeitura de Belém é a reguladora da Central de Leitos, mas deixou o paciente sem atendimento adequado e em um local que não oferece hemodiálise. “Houve uma sequência de erros e negligência.

Ele deveria ter sido transferido imediatamente por ter tido parada cardíaca”. Ela classifocu como crítica a situação dos renais crônicos que dependem da rede pública de saúde, seja municipal ou estadual. Segundo Belina, existem pelo menos 200 pacientes renais crônicos em todo o Pará aguardando para iniciar o tratamento nos 10 municípios paraenses que dispõem de hemodiálise.

Além disso, até setembro passado, havia 600 pacientes na lista de espera por um transplante. Segundo ela, falta uma política efetiva para dar uma frequência de transplantes. No Pará, apenas 2 hospitais fazem transplante de rins. Um deles é o Ophir Loyola e o outro é Hospital Público Regional do Araguaia, sendo que este último só realiza transplante quando o doador está vivo.

Renais crônicos no Pará

- Pará tem, em média, 2.800 pacientes renais crônicos.

- Em média, um paciente renal crônico passa 2 anos para conseguir fazer os 40 exames necessários para se candidatar ao transplante.

- O Pará tem 23 hospitais/clínicas públicas ou conveniadas ao SUS que dispõem de hemodiálise (8 em Belém) e apenas 2 hospitais que fazem transplante de rins.

- Apenas 10 municípios dispõem de tratamento de hemodiálise (Belém, Ananindeua, Marituba, Castanhal, Bragança, Ulianópolis, Marabá, Rendenção, Altamira e Santarém).

- Existem 600 pacientes aguardando por transplante de rim e cerca de 200 esperam para iniciar o tratamento.

(Pryscila Soares/Diário do Pará)

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