Condutores precisarão redobrar a atenção a partir da próxima segunda-feira (16), para não exceder o novo limite de velocidade nos dois sentidos e em toda a extensão da avenida Almirante Barroso. O limite passará dos atuais 60 km/h para 50 km/h. A justificativa da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob) para a mudança é diminuir o número de acidentes na via. Para quem entende do assunto, no entanto, somente reduzir a velocidade não resolve o problema.
De acordo com a engenheira especialista em trânsito Patrícia Bittencourt, professora da Universidade Federal do Pará (UFPA), para que haja uma mudança eficaz, é necessário que uma série de medidas sejam colocadas em prática. A especialista ressalta, por exemplo, que sente falta de uma fiscalização permanente e considera a atual sinalização da avenida precária. Para ela, os condutores e rodoviários precisam ser conscientizados para evitar acidentes. Patrícia lembra que combater as mortes no trânsito por meio da redução da velocidade é tendência mundial, adotada em cidades da Europa e, recentemente, em São Paulo.
Ela explica que há estudos que avaliam essa questão da redução para 50 km/h, mostrando que, por mais que a colisão ocorra, os danos e o impacto do acidente serão menores. Patrícia enfatiza que nos horários de pico, os veículos dificilmente conseguem atingir a velocidade máxima, devido ao trânsito pesado. No entanto, em horários de pouca movimentação, principalmente durante à noite, os condutores não respeitam o limite. “A Almirante é uma via problemática. Aqui, não se costuma investigar as causas dos acidentes. É muito fácil só reduzir”, analisa. “O próprio corredor expresso não é devidamente sinalizado. Tem estreitamento e alargamento, o que também pode provocar acidentes”.
OPINIÕES
Taxista há 9 anos, Emerson Ferreira, 40, revela que já foi multado por exceder o limite de 60 km/h. Agora, ele consegue controlar a velocidade com um sensor instalado no carro. Apesar disso, ele discorda que a velocidade seja reduzida nos radares. “Isso serve mais para os motoristas de ônibus, que dirigem como loucos”, diz. Já o motorista de caminhão Cleber Reis, 38, que utiliza uma motocicleta como meio de transporte, acredita que a redução irá piorar, ainda mais, o trânsito na via. Para ele, os motoristas que costumam não respeitar o limite de velocidade não mudarão de postura e, com isso, o número de acidentes não deve diminuir como é previsto.
(Pryscila Soares/Diário do Pará)
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