Aos 9 anos, Ulisses já tinha um emprego. Trabalhava como vendedor ambulante no Bengui, bairro onde mora. No pensamento do menino, era preciso trocar as brincadeiras da infância pelas vendas de DVD. Os pais não aprovavam a ideia. Porém, os amigos, da mesma faixa etária encorajavam Ulisses a continuar. Hoje, aos 14 anos, o adolescente se deu conta dos preciosos anos da infância perdidos com o trabalho. “Eu só larguei o trabalho porque meus pais me levaram no Conselho Tutelar e me mostraram que meu lugar não era vendendo as coisas”, diz.
Ele passou a se dedicar mais aos estudos e à música. Na manhã de ontem, no auditório do Centro Cultural Tancredo Neves (Centur), tocou violão junto com os amigos do Movimento República de Emaús, clássicos da Música Popular Brasileira (MPB) e carimbó. A apresentação fez parte do Programa Trabalho, Justiça e Cidadania (TJC), promovido pela Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Amatra).
O programa tem como foco combater o trabalho infantil e divulgar informações sobre os direitos e deveres do cidadão. Durante o ano, magistrados, advogados e procuradores saíram dos seus gabinetes e foram às escolas públicos esclarecer sobre o tema. “Levamos conhecimentos dos diretos e deveres do trabalhador e o fato de que as crianças estão mais suscetíveis à exploração do trabalho”, disse a presidente da Amatra, Claudine Teixeira da Silva.
Crianças e adolescentes das Escolas Salesiana do Trabalho, Maria Amoras, Movimento República de Emaús, Centro Social Santa Edwiges, Fundação Escola Bosque e Escola Cristã do Bengui, e Josafá Ayres, de Macapá, apresentaram peças teatrais e músicas sobre trabalho infantil. Alunos da Escola Bosque, por exemplo, mostraram as situações de vulnerabilidade das crianças nas ruas. “A apresentação é música e teatro ao mesmo tempo. Eles encenam, sem falar nada, sobre a vulnerabilidade do menor na rua até ser resgatado”, explica o orientador educacional Rubem Camara.
(Renata Paes/Diário do Pará)
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