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Prefeitura ignora Praça da República

O desejo de ir a uma praça ao menos para se sentar, admirar a paisagem ou bater aquele papo se tornou uma tarefa desagradável para quem vai até a Praça da República, em Belém. No domingo de feriado alusivo à proclamação da República no Brasil, abandono fo

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O desejo de ir a uma praça ao menos para se sentar, admirar a paisagem ou bater aquele papo se tornou uma tarefa desagradável para quem vai até a Praça da República, em Belém. No domingo de feriado alusivo à proclamação da República no Brasil, abandono foi o que se viu no espaço público, que guarda a passagem histórica no nome - e é uma das joias do urbanismo de Belém. Bancos quebrados, monumentos pichados, sujeira por todo lado e andarilhos impondo medo aos visitantes era a tônica.

DESCASO

Todos os domingos, a Praça da República se enche de gente. São famílias reunidas e atrações culturais. No entanto, ainda assim o poder público não se estimula a dar uma atenção maior ao espaço. “Sempre que venho aqui está do mesmo jeito. Meu filho chegou a cair de um desses bancos porque o assento estava solto. É triste”, reclama Luzia Figueiredo, cabeleireira.

Durante a semana, a quantidade de pessoas é menor. Porém, moradores de rua e usuários de drogas fazem parte dos frequentadores assíduos do espaço público, o que desperta temor em quem precisa passar por ali diariamente. “Tenho de atravessar a praça, porque trabalho aqui perto. Só falto correr de medo. Nunca sei como eles vão me abordar”, revela Aline Costa, secretária.

INSEGURANÇA

Se a avaliação é negativa entre aqueles que somente passam pela Praça da República, trabalhadores do local reforçam os comentários e ainda revelam os sérios problemas. Para o taxista Gilberto dos Santos, 46, que exerce a função há pelo menos 20 anos na praça, o local está “entregue às baratas”. Ele afirma que a limpeza dificilmente por lá aparece. Para piorar, moradores de rua reviram o lixo, alimentando a bagunça e o mau cheiro. “Eles ainda intimidam as pessoas enquanto os guardas municipais estão longe”, diz.

O taxista é taxativo: durante as duas décadas em que trabalha no entorno da praça, Gilberto observa que o poder público abandonou um dos mais belos patrimônios históricos da cidade. “O Governo faz vista grossa, não resolve. A polícia só aparece em dia de programação. Não temos segurança. A gente trabalha sobressaltado”, desabafa.

A Prefeitura de Belém vem sendo procurada pela reportagem desde sexta para comentar o descaso com a Praça da República, mas até o fechamento desta edição não se pronunciou a respeito.

(Michelle Daniel/Diário do Pará)

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