Durante as obras da Escola Estadual Marluce Pacheco, o Governo prometeu transferir alunos e professores a um local apropriado, até que a reforma fosse concluída. Hoje, 3 anos depois, as obras estão abandonadas e o local em que as aulas estão sendo ministradas não satisfaz aos alunos nem aos professores.
Em frente ao prédio improvisado, há um lamaçal e muito lixo. O cheiro fica insuportável em qualquer horário do dia. Quando chove, a situação fica ainda mais complicada, devido ao alagamento das ruas. Além disso, as salas de aula são divididas por compensados de madeira, o que torna a acústica inapropriada para que os estudantes ouçam de maneira clara as explicações dos docentes. Quando um professor fala algo numa sala, os alunos das demais também escutam.
“Enquanto estou explicando uma matéria na minha sala, outra professora também explica na dela”, conta a professora Cristiane Mendonça, 36 anos. “É impossível trabalhar assim”. Segundo ela, fica tudo pior na hora das aulas de música. “O professor tem de usar os instrumentos e ninguém mais ouve ninguém”, destaca.
CALOR E BARULHO
Ainda de acordo com ela, os professores ficam roucos de tanto falar alto, pois precisam que a voz se sobressaia ao barulho feito pelos trabalhadores de um comércio de materiais de construção, ao lado da escola. “Eu vivo rouca, com dor de garganta. É muito calor e muito barulho”, lamenta.
Os alunos reclamam que só há um banheiro para meninos e meninas. E nenhum para os professores. A educação física é feita em um espaço pequeno e no chão de terra.
“Minha filha vai estudar aqui só este ano. Vou tirá-la daqui de qualquer jeito”, diz o balconista Augusto Silva, 30. Ainda no “Mais Escola”, site do Governo, o depoimento da diretora da Escola, Oricélia Cavalero, chama atenção.
Há 3 anos, segundo a página na internet, Oricélia declarou que todos os pais e professores aguardavam ansiosos pela entrega das obras. “Muitos pais, inclusive, não tiraram seus filhos daqui porque estão na esperança de uma escola melhor”, diz o site. Hoje, depois de tanto tempo de espera, o sentimento é outro. “Já procuramos a Seduc, a URE (Unidade Regional de Ensino). Informamos nossa situação. Eles sabem de tudo e não fazem nada. Nos abandonaram”, disse a diretora, ao DIÁRIO.
(Diário do Pará)
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