“A Prefeitura está preparando a Belém dos 400 anos”, diz a placa em frente ao canal da travessa Quintino Bocaiuva, ao lado do terreno abandonado da Escola Estadual Marluce Pacheco. O texto da propaganda oficial deixa os cidadãos sem entender de que Belém a Prefeitura da capital está falando, já que não percebem nenhuma melhoria. Quase em frente à placa, um terreno abandonado serve de depósito de lixo.
Segundo os moradores das proximidades, no local é jogado restos de animais, como cachorros e cavalos. Há, também, móveis danificados, papéis, madeira e comida estragada. Na manhã de ontem, enquanto o DIÁRIO esteve no local, um carro de lixo da Prefeitura passou e recolheu apenas os resíduos domésticos na frente das casas.
Marivaldo Franco Pompel, 36 anos, conta que, na comunidade, os trabalhadores da coleta seletiva não dispõem de um ambiente apropriado para destinar o lixo para reciclagem. Eles deixavam tudo em um galpão desativado de uma fábrica de palmito, na Bernardo Sayão. Atualmente, o galpão só recebe entulhos em grandes quantidades, trazidos em caminhões. “O povo não tem onde jogar. Despeja aí mesmo”, diz ele. Outra situação que incomoda os moradores são as ruas de piçarra das passagens Integração e Comunitárias.
De acordo com Deise Marluce, na Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan), as vias estão tidas como asfaltadas. “Inclusive, tenho uma cópia do documento que prova isso”, afirma. Ela relata que, no período de chuva, as passagens alagam. As crianças chegam a tomar banho nas poças de água que se formam. A via fica intrafegável. No próximo dia 23, Deise irá ao Ministério Público do Estado (MPE) pedir providências. “Na Sesan, dizem que está asfaltada. Mas olha ai. É chão de terra”, reclama.
Moradores querem a UPA
Ainda na Quintino Bocaiúva, uma placa informa sobre a construção da Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Porém, os moradores afirmam já ter passado o período de entrega das obras. “Essa UPA é mais um papo furado do prefeito. Ele vai inaugurar para querer se reeleger”, diz Marivaldo Franco. Na placa da obra, a parte que informa sobre o prazo de entrega está coberta com tinta branca.A líder comunitária Deise Marluce Monteiro Lopes, 42, contou que, na tarde da última quinta-feira (19), soube que o prefeito de Belém tinha ido visitar as obras da UPA. Ela correu até o local para tentar falar com ele, mas não conseguiu. “Falar com a gente sobre quando essa obra vai ser entregue, ele não faz”, reclama.
O pedreiro Max Correia Tavares, 57, aguarda ansioso pela entrega da unidade de saúde. “A gente não vai mais precisar ir lá para a Fernando Guilhon, onde tem o posto do Jurunas. Só que até agora não temos previsão nenhuma de entrega”, diz. A Prefeitura de Belém não se manifestou até o fechamento desta edição.

Data para a entrega da obra foi encoberta pela Prefeitura. Foto: Alberto Bitar
(Renata Paes/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar