As mulheres devem redobrar os cuidados com a gestação. É o que orienta a Secretaria de Saúde do Estado do Pará (Sespa), diante do anúncio do Ministério da Saúde que há um possível surto de microcefalia relacionado ao vírus da Zika. Até a próxima semana, a Sespa deve divulgar um boletim com os índices recentes de crianças nascidas com microcefalia no Pará. De acordo com o ginecologista obstetra Jorge Vaz, o mais importante neste momento é que as mulheres que estejam grávidas realizem sessões de ultrassom fetal. O exame é capaz de diagnosticar, no início da gestação, se a criança tem possibilidade de nascer com o cérebro reduzido.
O primeiro boletim epidemiológico do Ministério da Saúde sobre os casos de recém-nascidos com microcefalia, que consiste na má formação do cérebro, registrou 399 casos notificados em Pernambuco, Sergipe, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí, Ceará e Bahia. A Fundação Oswaldo Cruz(Fiocruz) participa das investigações sobre os casos e concluiu, por meio de diagnósticos, a presença do genoma do vírus Zika, doença transmitida pelo mesmo mosquito da dengue, o Aedes aegypti. Os estudos ainda não provam a relação do vírus em humanos com os casos confirmados. Porém, houve registro na Região Nordeste de crianças com danos cerebrais em que as mães tinham o vírus Zyka. No final de abril, o vírus foi identificado no Brasil pela primeira vez por pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
ÁFRICA E ÁSIA
O Zika é endêmico de países da África e do sudeste da Ásia. Não há vacina nem tratamento específico. O Ministério da Saúde (MS) indica o tratamento dos casos com o uso de paracetamol ou dipirona para controle da febre e da dor. O MS também aconselha as gestantes a manter o acompanhamento e as consultas de pré-natal. O órgão recomenda a adoção de medidas para reduzir a presença de mosquitos transmissores, a partir da eliminação de criadouros. Sintomas como febre e dores nas articulações e músculos são sinal de alerta. “O exame laboratorial de sangue é o ideal para saber se a mãe está com algum vírus que pode ser transmitido a criança”, afirma Jorge Vaz. O médico lembra ainda que a microcefalia pode ser causada por consumo de álcool, drogas e até fatores genéticos. A alteração se caracteriza pela cabeça menor que 33 centímetros que as crianças apresentam no nascimento. A má formação pode causar ataques epiléticos, atraso no desenvolvimento, dor de cabeça, entre outros problemas.
(Renata Paes/Diário do Pará)
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