Responsáveis por 70% do agronegócio do País, as tradings Cargill, Bunge, Louis Dreyfus Commodities e Amaggi se uniram num importante projeto. As empresas investirão cerca de R$ 10 bilhões na construção de uma ferrovia de 1.140 quilômetros de extensão. Os trilhos ligarão o município de Sinop, no Mato Grosso, ao porto de Miritituba, distrito de Abaetetuba, no Pará. Será um dos mais relevantes investimentos em infraestrutura no Norte do Brasil. E, o melhor, financiado pela iniciativa privada. A ferrovia representará a economia de cerca de mil quilômetros de percurso ao longo da BR 163, reduzindo o preço do frete por tonelada.
O trecho entre o Mato Grosso e o Pará é um dos mais cobiçados pelas empresas do agronegócio, devido à grande produtividade. Pela nova ferrovia, devem ser escoadas 30 milhões de toneladas de grãos (soja e milho) por ano, podendo chegar a 50 milhões de toneladas em 2020. A redução no valor do frete deve ficar entre 30% e 40%. O novo modal de transportes também deve reduzir em até mil quilômetros o trecho rodado atualmente para escoar a produção do agronegócio nacional.
INVESTIMENTO
Por sua posição estratégica, o porto de Miritituba já abriga grandes empresas de importação e exportação de produtos, como as americanas Bunge e Cargill, que construíram terminais de carga no distrito. Companhias especializadas em operações logísticas em importações e exportações de produtos também já adquiriram terrenos para suas instalações na região.
O porta voz desse grupo de investidores é o senador Blairo Maggi (PMDB/MT). Ele esteve em audiência com o ministro dos Portos (SEP), Helder Barbalho, com quem falou sobre o projeto. O senador acredita que, no início do segundo semestre de 2016, a proposta de construção da ferrovia será licitada. “Acredito que em meados do ano que vem teremos tudo pronto para ir à licitação”, disse Maggi. “É uma nova ferrovia. Não há concorrência, não há recurso público. Será totalmente construída com verba privada. Trata-se de uma concessão”.
O primeiro passo já foi dado. O grupo de empresários entregou ao Ministério dos Transportes um Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), que detalha as informações sobre o trecho ferroviário e apresenta dados sobre a viabilidade econômica e financeira do projeto. O PMI é o mecanismo usado para incrementar a implantação de concessões de serviços públicos.
PORTOS
O documento apresenta um levantamento minucioso de viabilidade técnica, econômica e ambiental do trecho ferroviário e servirá de base para o lançamento do edital de licitação. Agora, o PMI deverá ser avaliado pelo Governo Federal para que, então, sejam convocadas as audiências públicas. Por fim, o estudo será encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU).
O traçado da futura ferrovia parte de Sinop, no médio-norte do Mato Grosso, margeando a BR 163 (Cuiabá-Santarém), até chegar ao distrito fluvial de Miritituba. Blairo Maggi informou que, a partir do distrito de Itaituba, a carga deverá ser transportada por barcaças até os portos de Santarém, no Pará, e Santana, no Amapá.
(Luiza Mello/Diário do Pará)
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