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Violência explode. E nem os PMs estão seguros

A violência que há muito desassossega os paraenses tem preocupado, a cada dia mais, um grupo em especial: os policiais militares que, nas ruas, estão sujeitos aos mesmos riscos a que são expostos todos os cidadãos - mas com os agravantes de andarem armado

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A violência que há muito desassossega os paraenses tem preocupado, a cada dia mais, um grupo em especial: os policiais militares que, nas ruas, estão sujeitos aos mesmos riscos a que são expostos todos os cidadãos - mas com os agravantes de andarem armados e reagirem a assaltos. “O policial sabe que se for identificado como tal será morto então ele está condicionado a reagir”, diz o presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros do Pará, Francisco Xavier.

CRIMES

O promotor Militar Armando Brasil lembra que a legislação permite que os policiais usem a arma e o colete à prova de balas mesmo durante a folga. E explica: a ele cabe, por determinação legal, investigar apenas crimes cometidos por policiais. Os casos de morte de policiais provocadas por civis são investigados pela Polícia Civil. Só no segundo semestre deste ano, foram 21 assassinatos de Policiais Militares. “Sentimos que o problema da violência está se agravando, e isso pode ser verificado no aumento de mortes de policiais. No primeiro semestre, foram três vítimas e, no segundo semestre foram 21”, diz Xavier.

SILÊNCIO

Entre as famílias dos policiais mortos o clima é de medo. A maioria se recusa a falar sobre o assunto. Temem represálias dos bandidos ou das próprias autoridades. “As famílias dependem da boa vontade dos comandantes para ter acesso aos benefícios a que têm direito. Por isso, muitas temem se manifestar e enfrentar problemas”, explica um policial militar que também não quer se identificar. “Para nós, essa é uma dor que nunca vai passar”, disse, por telefone, o pai do soldado Victor Hugo França Maia, de 25 anos, morto há 17 dias em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém. Motorista de táxi, ele não quis ter o nome publicado no jornal. “A gente teve medo”.

O rapaz foi atingido ao trocar tiros com assaltantes que tentaram levar a moto onde ele seguia como carona. As estatísticas oficiais revelam que as mortes de policiais não estão isoladas da violência endêmica que atinge a população de um modo geral. Dos 24 PMs mortos neste ano, cinco foram vítimas de latrocínio (roubo seguido de morte). Houve 19 homicídios. Entre esses registros, onze foram de policiais mortos durante a folga. Dois foram mortos no Pará, durante o serviço, e um policial aposentado foi assassinado no Maranhão.

Segup diz que estuda apoio habitacional para policiaisEm nota enviada à redação, a Secretaria de Segurança Pública do Estado (Segup) diz que o governo “estuda a possibilidade de viabilizar um projeto habitacional destinado a atender aos servidores do Sistema de Segurança Pública, onde estão incluídos os policiais militares”.A Segup diz ainda que vem desenvolvendo ações de prevenção e proteção direcionadas aos policiais militares do Estado do Pará, através de treinamento e palestras direcionadas. Aos familiares de policiais mortos, a PM diz que disponibiliza os serviços do Centro de Psicologia e Serviço Social, além do Fundo de Assistência Social. A Segup diz ainda que orienta sobre direitos dos dependentes do policial falecido.

Segup

Em nota enviada à redação, a Secretaria de Segurança Pública do Estado (Segup) diz que o governo “estuda a possibilidade de viabilizar um projeto habitacional destinado a atender aos servidores do Sistema de Segurança Pública, onde estão incluídos os policiais militares”.A Segup diz ainda que vem desenvolvendo ações de prevenção e proteção direcionadas aos policiais militares do Estado do Pará, através de treinamento e palestras direcionadas. Aos familiares de policiais mortos, a PM diz que disponibiliza os serviços do Centro de Psicologia e Serviço Social, além do Fundo de Assistência Social. A Segup diz ainda que orienta sobre direitos dos dependentes do policial falecido.

Déficit de 18 mil PMs sugere uso da Força Nacional

O presidente da Associação dos Cabos e Solados está entre os que defendem um pedido, pelo governo do Estado, de apoio da Força Nacional para ajudar a combater a violência no Estado. “Seria importante esse apoio, porque o efetivo policial está reduzido no Estado. A força nacional poderia ajudar no combate ao tráfico de drogas e armamentos. Temos de unir forças”, afirma, desconstruindo o discurso do Governo, de que os próprios PMs seriam contrários à proposta, que vem sendo rechaçada pelas autoridades do Estado. Segundo dados da Associação, o Pará tem um déficit de quase 18 mil policiais. A Organização das Nações Unidas indica que como o ideal a média é de um policial para cada 25 habitantes. No Pará, a média está em um policial para 800 pessoas.A entidade reivindica também compra de equipamentos e políticas de valorização para os policiais, a exemplo, do financiamento imobiliário

(Rita Soares/Diário do Pará)

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