Fim de ano, festas, confraternizações. O comércio se prepara para esta época do ano renovando o estoque e utilizando variados artifícios para atrair a clientela. Ainda existe um atrativo a mais: o pagamento da primeira parcela do 13º salário, que deve ser feito pelas empresas até esta segunda-feira (30).
Com o dinheiro em mãos, o consumidor acaba sendo impulsionado a não pensar duas vezes antes de utilizar o recurso. Porém, os especialistas recomendam cautela para quem pretende fazer isso, principalmente quando se trata de alguém que está endividado.
De acordo com o economista e supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA), Roberto Sena, a crise que o país enfrenta leva a uma quebra do poder aquisitivo. Ele diz que o consumidor precisa ter pé no chão para organizar o orçamento e pagar as dívidas antes de decidir ir às compras. Sena ressalta que o índice de inadimplência nunca esteve tão elevado. “A recomendação é renegociar a dívida e ficar adimplente”, explica.
Antes mesmo de receber o 13º salário, a técnica de enfermagem Sônia Moraes, 42, já estava consciente de qual destinação daria para o dinheiro extra. “Passei por uma cirurgia e acabei gastando além do que imaginava. Agora preciso quitar”. Já o auxiliar de serviços gerais José Wilson Galvão, 26, diz que deve pouco e, por isso, já está utilizando o 13º para comprar roupas para ele, a esposa e os dois filhos. “Para mim é mais vantajoso comprar à vista por causa do desconto”, avalia.
| O QUE FAZER COM O 13º PARA NÃO SE ENDIVIDAR AINDA MAIS- Pagar todas as dívidas pendentes;- Se possível, comprar à vista;- Separar parte do dinheiro e aplicá-lo na Caderneta de Poupança também é uma boa saída;- O acerto de dívidas é fundamental. Com os juros elevados, a tendência é que os compromissos não pagos virem uma bola de neve;- No crediário, os juros podem chegar a mais de 70% ao ano. No cheque especial, os bancos estão cobrando juros que podem chegar a mais de 220% ao ano, dependendo do formato do crédito. Já os juros dos cartões de crédito são ainda maiores e chegam a 420% ao ano; - A partir de janeiro de 2015, teremos gastos com IPVA, despesa com férias, pagamento do IPTU, matrícula escolar e os pagamentos das despesas feitas neste fim de ano (com o crediário);- Procure usar a “sobra” do 13º de forma disciplinada: reflita sobre seus gastos antes de qualquer coisa. Lembre-se também de que, sem constituir uma reserva para emergências, o equilíbrio financeiro pode se acabar quando surgir um imprevisto que afete seriamente o seu bolso;- Para o 13º que vai ser usado para as festas de fim de ano e as férias, a melhor forma de valorizá-lo é saber negociar toda compra, principalmente as pagas à vista. Peça desconto. |
(Pryscila Soares/Diária
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