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Passagem Oasis é retrato do descaso de Pioneiro

A 25 metros da rodovia do 40 Horas, em Ananindeua, entre os prédios de um condomínio de classe média e uma estância de materiais de construção, fica localizada a passagem Oásis. Apesar do nome, é já no acesso por caminho de terra batida que começa a se re

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A 25 metros da rodovia do 40 Horas, em Ananindeua, entre os prédios de um condomínio de classe média e uma estância de materiais de construção, fica localizada a passagem Oásis. Apesar do nome, é já no acesso por caminho de terra batida que começa a se revelar a realidade dos moradores: eles vivem em palafitas, sem saneamento básico algum.

O lixo se acumula em frente às casas e se mistura com o mato alto. Ratos e caracóis invadem as residências. “O carro de lixo da Prefeitura de Ananindeua não entra aqui. Vai até metade da rua e volta. Se vier, atola”, diz a cuidadora de idosos, Ana Pereira, 31.

Os moradores reuniram e compraram carradas de areia para aterrar a rua. Ainda assim, quando chove, tudo alaga e os insetos alojados no mato e no lixo invadem as casas. Atrás da residência da doméstica Marineide da Silva Abreu, 21, um terreno baldio com imóveis velhos, restos de alimentos e materiais descartáveis piora a situação. “Meu bebê de um ano já ficou doente por causa disso. É barata, rato, caracol que entra pelo banheiro. A gente se sente abandonado”, reclama.

SEM LUZ, NEM ÁGUA

Para fugir da escuridão da passagem à noite, vizinhos fizeram uma coleta de R$ 180 para comprar lâmpadas. Contrataram alguém para trocá-las dos postes. Ana Maria conta que foi até a Prefeitura pedir que a iluminação fosse restabelecida, mas ninguém apareceu para realizar o trabalho. “Não deu para esperar. Eu dei uns R$ 30 na coleta. Só assim para termos luz”.

A coleta também foi o jeito para enfrentar a falta de água. Construíram um poço artesiano, mas ele não é suficiente para todos.

O jeito foi interligar a água da Cosanpa, que passa pelo encanamento da rodovia do 40 Horas, até torneiras próximas às residências. “Fomos à Cosanpa para saber porque não tem encanamento aqui. Nos disseram que é difícil colocar, pois teriam que indenizar algumas casas”, conta Ana.

A passagem Oásis dá acesso à passagem Elizabeth. Lá, a situação é a mesma. O servente Josiel dos Santos, 27, tem em casa sete crianças. Quando chove, os menores brincam na rua alagada. “Se você passar uma chuva aqui, não vai mais querer voltar. A gente vê até rato dando cambalhota”, conta. “O prefeito Manoel Pioneiro nunca veio aqui. Nem antes, nem depois de se eleger”.

A insegurança é outro problema. Em junho, Ana Maria foi assaltada às 11h, em frente de casa. “Ele disse ‘passa teu celular se não vou atirar na tua cara’”. No terreno baldio vizinho, há consumo de drogas. “A polícia nunca vem aqui.”

(Renata Paes/Diário do Pará)

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