Aluno da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Cônego Batista Campos, o estudante Eduardo Alan, 20 anos, foi surpreendido pela notícia de que, talvez, não consiga concluir o ensino médio no colégio, localizado às proximidades da casa dele, na Cabanagem. A previsão de encerramento desse nível de ensino foi apontado, segundo a comunidade escolar, pela própria Secretaria de Estado de Educação (Seduc).
Eduardo se uniu aos demais estudantes do colégio para protestar na manhã de ontem. “Para a gente, isso vai ser muito ruim”. Segundo ele, atualmente só existe uma turma de ensino médio, a dele. “Agora a escola só vai até o primeiro ano e ainda assim querem tirar. Ficamos de mãos atadas”. Segundo ele, as demais escolas que oferecem o ensino médio ficam muito distantes de onde mora. Com cartazes, os alunos se dirigiram até a entrada da escola por volta de 9h. Apesar de executado pelos próprios alunos, o protesto também foi acompanhado de perto por pais que não concordam com a mudança, que teria sido anunciada há cerca de 2 semanas.
Com uma filha matriculada no 6º ano do Ensino Fundamental, a coordenadora do grupo de pais da escola, Natalina Nascimento, 32, se preocupa com a continuidade dos estudos de Ana Beatriz, 11, quando ela tiver de iniciar o Ensino Médio. “Para onde eles serão remanejados? Aqui, a escola fica perto pra todo mundo. E se eles forem enviados pra uma escola longe?”.
Natalina aponta que a procura por vagas na escola Batista Campos é grande e acredita que as turmas de ensino médio só não são preenchidas porque não há oferta. “Não queremos que o Governo acabe com o Ensino Médio na nossa escola”.
“PREFEITURIZAÇÃO”
Coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp), Alberto Andrade destaca que o colégio já teve, inclusive, turmas do Ensino Médio no período noturno, porém, as mesmas teriam sido excluídas. O mesmo estaria sendo tentado com a turma regular da manhã. “Essa é uma tentativa de fazer o que chamamos de ‘prefeiturização’”, reclamou Andrade. “Querem deixar o colégio só com o Ensino Fundamental, para empurrar a responsabilidade para a Prefeitura, que já não dá conta nem dos seus colégios”, destacou.
Para o coordenador, a medida ainda pode contribuir para a evasão escolar, na medida em que os alunos correm o risco de serem remanejados para escolas mais distantes. Segundo o sindicato, a medida também estaria sendo implantada em outras escolas. “A nossa missão agora vai ser combater esse reordenamento”. Procurada pela reportagem do DIÁRIO, a Seduc informou que não existe nada de concreto sobre a extinção do ensino médio na Cônego Batista Campos, porque os estudos sobre a oferta de aulas nas escolas públicas estaduais não terminaram.
(Cintia Magno/Diário do Pará)
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