Pneus, garrafas, vasos sanitários e outros entulhos que estão espalhados por Belém representam uma ameaça à saúde da população. Este tipo de lixo pode acumular água parada e se tornar criadouro do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, vírus zika e chikungunya. Para o médico Bernardo Cardoso, coordenador estadual do Programa de Controle de Endemias, da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), o combate ao mosquito deve envolver tanto a sociedade como o poder público.
O DIÁRIO, porém, percorreu alguns bairros de Belém e flagrou muito lixo jogado na ruas. “Quando chove, o canal transborda. Tudo quanto é tipo de lixo chega à nossa porta. Temos cuidado dentro de casa, mas aqui fora é essa porcaria”, reclama a dona de casa Deusa Silva, 73, moradora da passagem Oliveira Belo, em frente ao canal da travessa 3 de Maio, bairro de Fátima.
A dona de casa Edna Henriques, 56 anos, moradora da passagem Ipiranga, próximo ao canal do Barreiro, bairro do Telégrafo, compartilha da mesma indignação. Segundo ela, alguns moradores cuidam do seu lixo. No entanto, o esforço não é suficiente quando ela se depara com o entulho jogado por outros moradores na beira do canal. “Procuramos ter esses cuidados, mas outras pessoas não têm a mesma consciência. Inclusive a limpeza nas ruas, que deveria ser constante, a gente sente falta”.
SINTOMAS
Os sintomas do vírus zika, dengue e chikungunya são semelhantes: dores de cabeça e musculares, vermelhidão no corpo, às vezes diarreia, além de conjuntivite seca. No caso do zika, foram confirmados no Pará 35 casos e 161 estão sob suspeita. O especialista destaca que o mosquito ataca, na maioria das vezes, dentro de casa, entre 6h e 18h. Ele orienta a população a passar repelente no corpo. Usar roupas compridas, meias e a utilização de mosquiteiros também podem evitar a picada do Aedes aegypti. “O mosquito nasce mais fora do que dentro de casa, mas ele ataca dentro de casa. Ele não gosta da luz, precisa ter cobertura”, afirma Cardoso.
Para o médico, o poder público precisa fazer sua parte. Ele critica os gestores ao afirmar que falta conscientização para a importância da limpeza. “Com a cidade limpa, evitamos a zika, dengue, leptospirose, chikungunya e outras doenças levadas pelos lixões”.
Para ele, o combate ao mosquito deve envolver não só a área da saúde, mas também o meio ambiente, urbanismo, educação e coleta de lixo. “Todos tem de se dar a mão. É um inimigo comum que não enxerga cara, nem cor, nem posição. Pode acometer qualquer um”, alerta Bernardo Cardoso.
(Michelle Daniel/Diário do Pará)
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