O tratamento de hemodiálise que a aposentada Maria Raimunda Ribeiro, de 67 anos, realiza por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) há 4 anos e meio, no Hospital Divina Providência, em Marituba, pode ser interrompido a qualquer momento. Isso porque o hospital denunciou uma dívida, que alcança a casa dos R$ 6 milhões, da prefeitura. Segundo a filha da paciente, Ana Socorro Ribeiro, 39 anos, a idosa recebe apenas um salário mínimo da aposentadoria e depende totalmente do atendimento de saúde pública. “Ela vem pra cá um dia sim, outro não. Se ela ficar uma vez sem o tratamento, começa a passar mal”, conta Socorro.
O sentimento da filha de Maria Raimunda é semelhante ao de milhares de pacientes que recebem, no hopistal, desde emergência até internações e tratamentos contra doenças pelo SUS. Conveniado a vários planos de saúde, grande parte do custo do Divina Providência é bancado pelo Ministério da Saúde, verba esta que é repassada através da Prefeitura de Marituba, mas que, segundo o Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa), desde o início do ano não chega ao hospital. “Há atrasos desde janeiro. O hospital está com dificuldade para pagar o décimo terceiro dos funcionários, incluindo os médicos”, diz João Gouveia, diretor do Sindmepa.
De acordo com ele, o problema é ainda maior devido ao hospital ser referência para a população daquele município e, com o fechamento, a comunidade de Marituba será prejudicada. “A demanda de atendimento é de 6 mil pessoas por dia. Vai acontecer que aquela população vai migrar para Belém, que também passa por dificuldade”, reforça. Diante disso, representantes da unidade de saúde denunciaram o caso ao Ministério Público Federal (MPF) para que seja investigado um possível desvio do dinheiro que não teria sido repassado, especificamente, ao hospital.
PREJUÍZO
Além disso, o Sindicato dos Médicos se mobilizou e também pediu providências ao Tribunal de Contas do Município (TCM), ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) e à própria Prefeitura de Marituba sobre os prejuízos que podem ser causados caso a situação não seja resolvida. “Se isso acontecer, vai ser uma tristeza. É um hospital bom, de referência, que não podemos perder. A falta dele vai prejudicar os pacientes e a nós, comerciantes, que dependemos do fluxo de pessoas para trabalhar”, avalia André Chagas, comerciante. “Sem o ‘Divina’, Marituba para. Falta médico nos postos de saúde. Ele é para onde o povo corre”, comenta Levi Pantoja, da ONG Francisco Azevedo.
E, para tentar chamar a atenção do poder público, taxistas, mototaxistas e motoristas de transportes alternativos pretendem se mobilizar hoje de manhã, a partir das 8h, em frente ao Divina Providência, para manifestar a indignação diante da ameaça de fechamento do estabelecimento.
(Diário do Pará)
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